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Opinião

A Escassez de Líderes, o Poder dos Idiotas e a Profecia de Nélson

Por: SIDNEY NICÉAS
O Economista Alfredo Bertini volta ao Tesão Literário com um texto que traz a “profecia” de Nelson rodrigues relacionada à falta de líderes capazes e a fartura de “idiotas” .

Foto: Sander Sammy/Unsplash

22/11/2023
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*por Alfredo Bertini

Ninguém foi tão contundente quanto Nelson Rodrigues, para intuir e prever com sábia antecedência, que o mundo seria dominado por idiotas. Se essa despretensiosa profecia não foi plena à luz de uma quantidade avassaladora, o fato hoje me parece registrar que, na qualificação dos que tinham (e têm) o desafio de liderar, sapiência foi mesmo preciosidade inalcançada. 

Francamente, penso que o mundo sofre pela escassez de verdadeiros líderes e, por conseguinte, pela propagação viral de idiotas. Em alguns casos, pela proliferação coincidente com os exercícios de seus podres poderes. Um contexto tal que, fazem-lhes agirem como os verdadeiros  "donos do mundo". Pobres os seres, "humanos de raiz", que são coadjuvantes de uma História que não merecia ser contada e escrita de modo tão infeliz.

As cenas mais recentes desse registro histórico dão mais sentido e consistência às minhas singelas reflexões. Diante de um ambiente de guerra, o verdadeiro líder é aquele que tem competência para reconhecer que as palavras são bem mais capazes de derrubarem mísseis e desarmarem bombas. Ainda mais quando o conflito foi iniciado e propagado, com base na estupidez das justificativas de velhas demonstrações de ódios bilaterais que parecem eternizados. Assim, diante dessa situação que só realça uma beligerância idiota, cabe até invocar ninguém menos que Napoleão Bonaparte. Justo ele que surpreendentemente, difundiu uma ideia, na qual dizia que o ofício de um  "lider é o de vendedor de esperança". Diria aqui: até tu, Bona?

Contudo, nem assim, ninguém dos pseudos líderes, hipócritas de plantão, protagonistas beligerantes das guerras atuais, revelou algum mínimo entusiasmo inspirador, advindo da frase "conciliadora" de um tal Bonaparte. Sim, há mais tanques, tiros e porradas, em trincheiras demarcadas no mapa mundi, do que vontade irrevogável pela conciliação. Claro que essa coincidência atual pelo poder de falsos líderes, diante de uma convivência polarizada no ódio, faz todo sentido para que essas guerras e consequências adversas se sustentem e até prosperem. O que me espanta é que tudo isso se dá numa órbita de contradições, bem ditada pelo implacável tempo. 

Em pleno século XXI, justo no momento da mais contundente revolução tecnológica, motivada pela excelência de uma capacidade humana evoluída (na cognição e criação, padrão 4 D, 5 G ou 5.0.), ainda subsiste - com força e poder - uma raivosa "colônia do troglodismo". Isso ocorre num estágio de humanização "zero D, zero G e zero ponto zero". É como se vivêssemos num mundo rebaixado à última divisão da evolução humana.

Não quero aqui apenas me expressar desse modo, pelos aspectos fáticos de uma Guerra milenar, na qual não há inocentes e nem vitoriosos. O que quero ilustrar como uma enorme lástima humana é,  exatamente, essa infeliz coincidência que se dá entre a estupidez prevalecente de ideias radicais multi-influenciadas (políticas, religiões, costumes e outros valores) com a ausência de líderes capazes de apaziguar os ânimos. 

De fato, nem mesmo no cotidiano mais banal, a sociedade hoje tem conseguido imprimir esse roteiro, da humanização das relações sociais, políticas e econômicas. As vidas estão transformadas em incríveis campos de batalha. O território de crueldades visto agora em Israel e Gaza parece uma mera extensão continental de outras batalhas. Em menor escala, naturalmente.

Sigo inconformado. Reflexão e ação parecem alvos intangíveis, sem lideranças capazes, num mundo submetido ao estágio de idiotização.  Contudo, para renunciar tamanha distopia, posso também continuar a crer nos valores humanos regidos por uma educação mais comprometida com a vida e com o sustentável.

Quem sabe lampejos de cognição e capacidade criativa, inerentes à essa formação, consigam dizer para o mundo que a humanidade pode virar o jogo. Sim, isso pode ser possível. E essa luta não pode ser abandonada. 

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Alfredo Bertini é economista e desportista.

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