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Cultura

A incrível história do Inclusão Literária e seu Papai Noel Pantaneiro

Por: SIDNEY NICÉAS
Clóvis Matos, que ficou famoso após quadro em Luciano Huck, mostra que seu projeto é muito mais do que só mídia: o Inclusão Literária é exemplo para o país!

Foto: divulgação

20/09/2020
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Muitos livros lidos, muitas histórias aprendidas, saberes absorvidos, desde criança, apesar de morar à época em uma pequena cidade no interior do Estado de Goiás, isso lá nos anos 1960. Fico pensando em outras pessoas que não tiveram a mesma sorte que eu, de conhecer gente que lia e não se importava de doar seus livros para que eu mergulhasse em suas letras e virasse um leitor. Assim, de uma experiência vivida em uma livraria em que trabalhei no início dos anos 2000, já em Cuiabá, onde pessoas sentavam confortavelmente em poltronas e mesas para ler, liam tudo mas acabavam não comprando a obra, passei a perguntar porque não compravam. Inevitavelmente a resposta era: o livro é caro. De 2002 em diante, botei uma ideia na cabeça e a fiz amadurecer. Até que em novembro de 2005 juntei os livros de minha biblioteca pessoal, coloquei no carro e fui pra zona rural espalhar livros para o povo. Foi tão boa a recepção por parte dos leitores sem livros, que vi que estava fazendo mais que doar livros, estava provocando uma verdadeira Inclusão através da literatura. E assim nasceu o Inclusão Literatura. E lá se vão 15 anos de estrada, atingindo sempre populações com pouca ou nenhuma assistência.

O Projeto Inclusão Literária atua, entre outros, em ruas, comunidades rurais, escolas, assentamentos, shoppings e feiras livres da capital e interior. Nestes lugares o projeto sempre tem contribuído com o acesso gratuito à leitura de livros, revistas, gibis e jornais, além das atividades lúdicas do teatro e da música. Nos 15 anos de sua existência, já foram percorridos mais de 200 mil Km; visitados 06 Estados: Mato Grosso, Goiás, Tocantins, Pará, Bahia e Pernambuco; e distribuídos gratuitamente algo em torno de 140.000 (cento e quarenta mil) livros!

Para isso acontecer, não pensem que foi (ou é) fácil. O projeto é uma iniciativa pessoal, não tem nenhuma entidade por trás nesses 12 anos em que andei sozinho, bancando todas as despesas, mas sempre contando com apoios fundamentais – que não envolvem dinheiro, como doadores (meus grandes parceiros), empresas e pessoas físicas. Até que, em julho de 2017, a empresa ENERGISA MT, entendedora que a leitura é um grande avanço em todos os processos educativos e sociais, e mais, enxergando a seriedade da proposta, me ofereceu um contrato de patrocínio que, há três anos, cobre 30% das despesas. Nesse meio tempo, por dois anos (2018-2019) o Shopping Três Américas também entrou como patrocinador. Hoje continua firme a ENERGISA.

Contando sempre com apoio da imprensa e tendo muita divulgação, a tendência era o crescimento do projeto. Passei a receber cada vez mais solicitações de livros e em lugares cada vez mais longínquos e de difícil acesso, fazendo com que meus velhos carros, uma Pick Up F75 (ano 1974) e uma Kombi (2004) não suportassem mais a carga; quebravam muito, alto consumo de combustível... até que... pah, apareceu o Luciano Huck em minha casa com uma Nissan Frontier, a Laranja Mecânica, uma linda carreta lotada de livros! Foram também 23 minutos de TV Globo no dia 23 de dezembro de 2017. Não precisa nem falar que a demanda explodiu. Agora eu estava com o equipamento que sempre quis, muito mais gente atendida, muito mais livros doados e, claro... aumento de despesas.  

Como todo este trabalho não é barato, fui à luta em busca de novos recursos e, para complementação, realizo pequenas feiras de livros baratos, pois, não tem entre os objetivos do Inclusão a obtenção de lucros: toda verba arrecadada com as vendas é reinvestida nas ações do Inclusão. Numa relação justa, para cada livro vendido, outros 10 (dez) são doados. Neste ano está ainda mais difícil, estou dentro do pior grupo de risco desta Pandemia. Não saio de casa há seis meses, não realizo nenhuma venda, mas o projeto não deixou de rodar, pois já distribuímos mais de 8000 livros em 2020, tanto em Cuiabá quanto em cidades do interior, as pessoas vêm aqui pegar os livros. Para tentar minimizar a quebra no orçamento, uma amiga minha que mora em São Paulo criou uma VAKINHA, cuja captação está lenta. Fica a dica então para você, leitor, se puder, ajudar. O Papai Noel Pantaneiro ficará muito feliz!

NOTA DO EDITOR: Clóvis Matos, todo dia 25 de dezembro, percorre de balsa regiões pantaneiras distantes, vestido de Papai Noel, para presentear com livros os moradores. Isso é que é Inclusão Literária!

AJUDE AO PROJETO INCLUSÃO LITERÁRIA FAZENDO SUA DOAÇÃO:

https://www.vakinha.com.br/vaquinha/apoio-ao-projeto-inclusao-literaria     

A LITERATURA SALVA!

Todos os livros do Projeto são obtidos através de doações.

Doe livros: Contato 65 98135-1176, com Clovis Matos

 

Nas redes Sociais:

www.instagram.com/clovismatos2

https://www.facebook.com/clovis.rezendes
https://www.facebook.com/clovis105

 

Conheça um pouco mais do Inclusão Literária 

https://g1.globo.com/mt/mato-grosso/noticia/papai-noelque-tem-projeto-de-inclusao-literaria-ganha-caminhonete-combiblioteca-em-mt.ghtml

https://www.youtube.com/watch?v=lWHzpXCjPLE

https://www.youtube.com/watch?v=mfNF3NwU63k

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