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Opinião

Acabou o Ócio

Por: SIDNEY NICÉAS
Novo ano e estréia no Tesão! o escritor Claudemir Gomes inicia o ano com um texto bem humorado e recheado de suas opiniões.

Foto: Adrian Swancar/Unsplash

03/01/2024
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*Por Claudemir Gomes

Acordo, no segundo dia do ano 2024, depois de Cristo, com a sensação de que estava escutando o trilar de vários apitos. Sons ensurdecedores anunciando que as fábricas reiniciaram suas produções; o comércio reabre suas portas; o futebol brasileiro é brindado com a primeira competição da temporada; que estamos em ano de olimpíadas; que o carnaval já está na porta; enfim, que teremos uma maratona de 364 dias (um já se foi), em alta rotação.

O primeiro de janeiro é tido como Dia Internacional da Paz. Particularmente o vejo como o dia do ócio. A sensação é de que o mundo inteiro se entregou à mais preguiçosa das madornas. Embalados por sonhos, promessas e juramentos, mergulhamos em devaneios. Quando estamos vivenciando o ócio, damos asas à liberdade porque nele não existem fronteiras. No nosso imaginário vivemos até as vidas que não foram vividas. Mas o voo deste tapete mágico acontece apenas nas primeiras 24 horas do ano, diferentemente, daquele das Mil e Uma Noites.

Acorda aruá! 

Quando era possível usar a expressão, sem melindrar ninguém, era comum se ouvir: “Vamos trabalhar que hoje é dia de branco!”. Do alto de sua irreverência Pedro Luís – Pedrão – retrucava: “Ôxe! De preto também”.

É isso aí amigo: o primeiro texto do ano permite tergiversadas.

Ainda estou embriagado com tanta beleza produzida pelas luzes distribuídas pela cidade. O réveillon bombou! Aliás, a sensação, por tudo que nos foi mostrado pela televisão, é de que o nosso País está mais alegre. Foram dias sem perrengues: só love. Acho até que, em breve, teremos o concurso para ver qual a melhor festa de réveillon promovida pelos Estados. Você poderá fazer suas apostas pelas bets. Afinal, estamos no País das apostas.

Festa de réveillon é bom porque pode tudo, como cantava o Tim Maia. E agora com a liberação de que também pode homem com homem, e mulher com mulher. Depois que aquele outro ficou cantando para o Rei Roberto Carlos – “Me lambe, me lambe...” – a lambedeira foi geral em Fortaleza, Recife, Salvador, Rio de Janeiro, onde aconteceu uma grande festa, a turma se danou a lamber.

É um show!

Mas hoje começa o verdadeiro show da vida. Nos primeiros telejornais já constatamos que vem por aí, um pacotão de aumentos nos tributos. Dizem que a coisa vem pesada, em ritmo de frevo que o povão gosta.

Não sei onde vamos parar! Reclama o Zé Ninguém – é assim que nós, simples mortais, somos vistos – ao constatar, na prática, que o aumento de R$100,00 no salário mínimo foi devorado antes de entrar no seu bolso. 

Tenha calma seu Zé!

O Big Brother 24 vai começar daqui a pouco para a alegria geral de milhões de Macunaímas. Você separa uns centavos, faz suas apostas, e fica se deleitando com a vagabundagem da turma. Este ano promete: vai ter mais lambe, lambe; fofocas e aulas de maldade. É disso que o povo gosta.

Arrocha! Bota fogo na fogueira Tadeu.

A turma da resenha matinal da Padaria Diplomata já lançou o desafio: quem sobe este ano? Calma! Primeiro as primeiras coisas: quem será o campeão pernambucano?

O cenário não é animador.

“Os jogadores estão chegando de carrada”, revelou o porteiro de um dos grandes clubes do Recife. O experiente, Alfredo Augusto Martinelli, lembra que, “foi-se o tempo que os treinadores trabalhavam com um elenco de 28 a 30 profissionais”. Verdade! Mas nossos “grandes clubes” já contrataram mais de 20 candidatos a jogador. 

Vejamos o que vai sobrar no balaio.

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Claudemir Gomes é jornalista e já cobriu 4 copas do mundo. Começou como repórter no Diário de Pernambuco, onde foi depois colunista e editor.

 

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