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Opinião

Banda de Pífano Nossa Senhora da Conceição

Por: SIDNEY NICÉAS
Depois de falar sobre a banda de pífano Zabumba do Mestre Chimba, Alê Neres, do Quintalcast, continua com a missão de disseminar a cultura popular e seus ritos.

Foto: Reprodução/Quintalcast

29/09/2023
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*por Alê Neres

A tradição não morrerá e resistirá a ferrugem e ao mau trato do tempo

 

Logo depois que escrevi e publiquei o texto sobre a Banda de Pífano Zabumba do Mestre Chimba, tive a certeza de que a cultura popular e seus ritos são imorríveis. Escrever sobre as bandas de Pífano em Pernambuco ou no Cabo de Santo Agostinho é trazer a origem de muitas histórias. Foi exatamente conversando sobre o passado com Joan e Júnior, o quão é importante manter viva na memória a origem de um povo. 

Foram tantas mensagens em prol da cultura popular e da exaltação do pife que é impossível não sonhar com alguma reconstrução da procissão de São Benedito em Massangana. Fico imaginando uma banda de pífano puxando uma procissão diante do andor, na fé do santo padroeiro. 

Uma dessas mensagens que recebi foi de Júnior Kaboclo e tive o maior prazer de ouvir algumas pontuações sobre o texto e de saber de sua vontade de querer falar mais sobre o Cabo Chico, Mestre de Chinga e como eles influenciaram a sua vida. Vou tentar deixar a escrita o mais perto possível dos relatos expressos por Júnior em nossas conversas que já dariam um bom podcast. Quem sabe acontece? Vamos esperar. Antes desse podcast acontecer vamos saber um pouco mais sobre o líder da banda de pífano que foi referência para Zabumba do Mestre Chimba.

Cabo Chico; Ele foi o primeiro pife da banda de Pífano Nossa Senhora da Conceição “Fundada em 1935 em Ipojuca, no povoado de Montevidéu, onde tudo começou. Logo depois, Cabo Chico e família se mudaram para o engenho trapiche no Cabo de Santo Agostinho. O nome da banda foi dado em homenagem à avó do cabo Chico, D. Maria Francisca da Conceição.  

José Francisco de Oliveira, trabalhava nos engenhos de cana de açúcar na zona da mata sul pernambucana, sua função era de Cabo de turma, uma espécie de líder, era dessa atividade que tirava o sustento da família e foi assim se tornou popularmente conhecido como Cabo Chico. 

A Banda Nossa Senhora da Conceição se apresentava nas festas populares da cidade mantendo viva e com recursos próprios uma tradição iniciada em 1880 por nossos antepassados, um desses nomes de referência é o de Natanael Teófilo de Souza, da Vila de Nazaré no Cabo de Santo Agostinho. Além de toda luta com a banda de pife, Cabo Chico também era brincante dos Caboclinhos Caiapós, mostrando que não descansava em exaltar suas origens e misturas do seu povo. 

Depois da morte do Cabo Chico nos anos 80 e sentindo a necessidade de continuação do brinquedo, Júnior Caboclo reuniu alguns integrantes da oficina de pífano e mais alguns músicos da Filarmônica e Formou a Banda Zabumba do Mestre Chimba, em homenagem ao Mestre Luiz de Chinga que tocava o segundo pífano com o Cabo Chico na banda Nossa Senhora da Conceição; “A minha principal referência era a Banda de Pífanos Nossa Senhora da Conceição, mas com a perda dos mestres continuei o trabalho com a Zabumba, compondo, ensaiando e participando de apresentações. Um dia fui ao Recife procurar por alguns discos de bandas de pífanos e foi em um sebo de discos usados na Avenida Dantas Barreto que encontrei um LP que mudaria a minha concepção musical, o LP Bandinha de Pífano, Zabumba Caruaru Vol 1. Esse disco me chamou a atenção pela performance da banda, a genialidade das composições e polirritmia, num diálogo preciso entre os pífanos e a percussão. Um Rock And Roll puramente nordestino. Destaque para as músicas A briga do cachorro com a onça e Esquenta Muié Sebastião Biano.” Comenta Júnior. 

Foi pesquisando mais sobre o assunto que conheceu outros mestre mestre e fincando as raízes na arte do pífano. 

“A partir daí só aumentava o meu interesse por essa música pura e autêntica que naturalmente fui incluindo algumas composições do mestre Sebastião Biano no repertório da Zabumba do Mestre Chimba. Continuando a pesquisa sobre as banda de pífanos, viajei para o agreste, sertão pernambucano e Paraíba, onde tive a oportunidade de conviver e aprender muita coisa com os mestres: João do Pife, Biu do Pife, Marcos do Pife, Lula Calixto, Zabé da Loca. Personagens importantes da cultura brasileira que me incentivaram a continuar essa tradição”. Finaliza Júnior. 

É extremamente complicado manter um brinquedo popular ativo mesmo nos dias de hoje com toda a facilidade de editais e ferramentas de internet, imaginem isso quarenta, sessenta anos atrás? José Francisco de Oliveira, o Cabo Chico, foi mestre na arte do pife e de manter a memória de um povo que foi escravizado viva até hoje. A grande prova dessa memória é que ainda existe interesse no assunto. Cultuar o belo e o sagrado é expor uma história é recriar um vínculo com o passado valorizando as raízes no presente sem perder o que pode acontecer em um futuro próximo. Que sejam bem vindos os jovens que escolheram manter ativa essa arte do pife viva e toda sua tradição. 

 

Primeira formação da Zabumba do Mestre Chimba -  1998

Júnior Caboclo – 1 Pifano 

Joan Arthur – 2 Pífano 

Paulo José – Zabumba  

Mozart Tavares – Caixa 

Francisco Assis – Pratos 

 

Segunda Formação -  2004

  Júnior Caboclo – 1 Pifano

  Alberone Padilha – 2 Pífano 

  Virmerson Aratanha – Zabumba 

  Paulo Cavalcante – Caixa 

  Alex – Pratos.

 

Agora você fica com uma parte da gravação de um programa do ano celestial de 2008 gravado em Paulínia SP. Na oportunidade conversei com Júnior Caboclo sobre suas atividades musicais em São Paulo. 

 

https://on.soundcloud.com/n6yve

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Alê Neres é formado em Engº Ambiental, com especialização em Segurança do trabalho, consultor, Auditor e Diretor técnico da Qualiseg Consult. Nascido no Cabo de Santo Agostinho, iniciou na comunicação em 2002 com programa em Rádio Comunitária (rádio de poste).  Entre programas de rádio, produziu festival de música, criou blog, site e canal no Youtube para falar sobre artistas de sua terra natal, quando em 2009 conheceu a podsfera e se apaixonando por podcast. Hoje produz e comanda o projeto quintalcast.com.br com sua própria “Podsphere”, para falar o que bem quiser e produzir.

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