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Opinião

Conexão RJ: Transação Autorizada

Por: SIDNEY NICÉAS
O professor Renato Sousa compartilha com o Tesão outra de suas crônicas, dessa vez contando suas aventuras no Recife com contas, dívidas e cartões.

Foto: Stephen Phillips/Unsplash

18/10/2023
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*por Renato Sousa

Nos dias de hoje tenho quatro ou cinco sustos inevitavelmente a todo momento. Tudo por conta de pagar as coisas no cartão de débito e torcer para a maquininha dar aquela mensagem maravilhosa – transação autorizada. Não é fácil não, quando a mensagem dá transação não autorizada. É um Deus nos acuda, ainda mais nas tardes deste setembro em que assistimos Conceição Rodrigues lançar seu livro – E Deus não acudiu ninguém. Seria eu um membro deste clube dos não acudidos? Passo o dia a me perguntar e de olho no visor das maquininhas de débito. Quis o destino que em julho, longe de casa, estando eu na bela cidade de Recife, num dos melhores restaurantes do nobre bairro das Graças o meu cartão protagonizasse um dos maiores micos da minha insignificante vida. Eu estava num encontro de amigos - mais de 40 anos de amizade- tomando um bom chopp, saboreando um prato de petiscos deliciosos, conversando animadamente sobre livros e filmes, quando, devido ao avançar da hora, mandamos fechar a conta. Feliz eu estava e dei meu cartão para pagar minha parte, digitei minha senha e transação não autorizada. Gelei. Que diabos estava acontecendo na minha conta? 42 anos de conta no Banco do Brasil e será que eu não tinha míseros duzentos reais? E minha cara? E aquele riso irônico estilo coringa do rapaz que passara meu cartão? E agora? Deu ruim - diriam meus alunos do curso de Administração. Até tu, professor? Sem controle financeiro? Me acode meu Deus! O que fazer? Não tive dúvidas e com ar de surpresa pedi ao rapaz – passe de novo! Deve ser erro de comunicação! Ele repetiu a operação e mais uma vez – transação não autorizada! Seria fácil resolver – bastaria eu usar meu cartão da Caixa Econômica – uma conta que sempre uso como plano B. Abri a carteira e me lembrei que por prevenção havia deixado o cartão da Caixa lá no Rio de Janeiro, já que dificilmente precisaria dele em Recife. Só me veio à lembrança Millôr Fernandes e sua genial crônica sobre o palavrão – não há o que pensar – a não ser – fudeu!

Milhares de outros pensamentos povoaram minha mente: deve ser macumba de minha ex-mulher; deve ser vodu do meu vizinho palmeirense; deve ser feitiço do meu gatinho PLOCK que odeia quando eu viajo; ou essa maquininha leu minha conta errada - qualquer coisa doida menos que não havia míseros 200 reais na conta. Não era possível! Como ex-funcionário de Banco pensei – porque o sistema não aceita o débito – e cria uma espécie de vale felicidade – permitindo que o correntista cubra em até 24 horas aquele saldo devedor! Assim evitaria tristeza depois de um almoço com amigos do coração! Não seria uma boa solução? Seria, mas eu não tinha muito tempo; tinha que resolver a situação em 3 ou 4 segundos. Não havia apelação! Nem o STF me livraria dessa! 

Chamei o garçom no canto e sugeri que fosse cobrar dos outros participantes para que eu ganhasse tempo. Olha que ainda pensei em me oferecer para lavar pratos como se fazia antigamente, mas hoje a coisa mudou tanto, que nem os pratos são lavados manualmente – tudo está automatizado e meu pleito com certeza seria em vão. Eram 5 pessoas na mesa, um pagou, outro pagou e eu ainda não tinha encontrado a solução quando (Graças a Deus) lembrei-me que tinha levado 200 reais em espécie que estavam dobradinhos no bolsinho menor da minha carteira para não esquecer de – ao deixar a capital pernambucana – comprar umas lembrancinhas para alguns amigos cariocas que nunca foram ao Nordeste. Abri a carteira e lá encontrei os 200 paus. Salvo pelo gongo. Ainda dei uma esnobada no pessoal dizendo em voz alta – vou pagar logo em dinheiro para não fazer dívidas em solo pernambucano! O garçom sorriu dizendo – aí está certo! Aliviado pedi um chopp de saideira, por conta da casa, é claro, afinal ninguém é de ferro ainda mais depois de um susto desses!

 

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Prof. Renato Ferreira de Sousa é administrador, gestor de carreiras, mentor de talentos e universitário. 

https://www.instagram.com/profrenato.sousa/ 

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