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Opinião

Conexão SP: Hora da régua

Por: SIDNEY NICÉAS
Mário Viana traz seu último texto desse ano, falando justamente sobre o seu 2023 e seus sentimentos a respeito do ano.  Leia agora, no Tesão Literário.

Foto: Unsplash

18/12/2023
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*Por Mário Viana

A última quinzena do ano é sempre um momento duro de encarar. Os quilos que você prometeu deixar pela estrada não só continuam grudados em seu corpo, como ganharam vários irmãozinhos. Aquele curso, lembra? Esquece. E a prometida visita ao amigo querido continuou prometida. Muita gente usa esses quinze dias finais pra renovar os votos de criar juízo, beber menos, fazer mais ginástica e amar muito, no sentido físico do verbo. Diz que o ano novo toma nota de tudo, mas a lápis. Fica mais fácil de apagar.

A iluminação, no entanto, pode ser mais otimista, que diacho. Eu me dou de exemplo. Entrei em 2023 com o esgotamento de quem tinha disputado a São Silvestre pulando num pé só debaixo de um temporal. Em 2022, penei mais que personagem do Charles Dickens. Mas cheguei, antes que escrevessem o meu the end!

Meu primeiro semestre teve nomes: Rosane Renatas Pedro Paula Paulinho Yuri Juliana Isabelle Sheron Samuca Carol Marcos Carla Alê Eliane Roberta. E sobrenomes: Svartman Correia Sofia Sorrah Alvarenga Teixeira Silvestrini Lima Amorim Brum Menezzes de Assis Dieckmann Veras  Cardoso Marson Azevedo Sampaio… E teve CEP, o do Rio. Foi um semestre de muito trabalho e muito prazer – sim, somos da esquisita tribo que sente imenso prazer com o que faz.

No segundo semestre realizei um velho sonho – conhecer Egito e Jordânia -, com o detalhe de ter sido pouquíssimo tempo antes do Hamas invadir Israel e começar o pega-pra-capar. Voltar a viajar depois da pandemia deixa todo mundo – turistas e anfitriões – com a mesma expressão da corrida num pé só. O mundo pulou uma amarelinha macabra e tudo nos faz lembrar isso. Quando o ônibus percorria as espantosas ladeiras de Petra, onde hotéis e pousadas se enfileiram lado a lado, eu me perguntava como eles sobreviveram durante os anos de Covid. O deserto ao redor não permite sequer uma horta comunitária…

2023 também se tornou o ano em que pudemos respirar livres do miasma tóxico do governo anterior. Hoje em dia, quando rádio e TV exibem a campanha de vacinação (contra Covid, gripe, sarampo, o que for), me dou o direito de ficar emocionado. Depois de mais de 700 mil brasileiros riscados do mapa, reencontramos a humanidade. Saudamos o óbvio. Salvar vidas voltou a ser uma orientação oficial.

Estamos separados de 2024 por uma cortina, como aquela dos palcos. Tentamos adivinhar pelas frestas o que o novo ano nos reserva. Bobagem. As coisas vão acontecer, saibamos com antecedência ou não. Também não acredito em planos de metas, lista de tarefas, objetivos definidíssimos. Comigo não funciona. Sim, tenho vontades, desejos, projetos. Mas nada que não possa ser alterado, por bons ou maus motivos. A cinturinha só precisa estar em ordem, pra poder gingar conforme a música.

Esta coluna entrará em férias. Ou quase isso. Serão duas semanas sem dar as caras, pra recarregar baterias. Um bom Natal, pra quem é de Natal. Um super Réveillon pra quem gosta de ano novo (sou desses). A gente se vê em janeiro.
 

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Mário Viana é Dramaturgo, autor-roteirista de novelas, cronista, jornalista. Paulistano.

https://vianices.wordpress.com/

https://www.instagram.com/marioviana

https://www.facebook.com/mario.viana.948

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