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Opinião

Crime? Direito? Entenda o imbróglio envolvendo o Whatsapp

Por: SIDNEY NICÉAS
2 bilhões de usuários obrigados a aceitar novas regras do Whatsapp: o que é verdade e o que é fake news?

Foto: Rachit Tank_Unsplash

17/01/2021
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Que o Whatsapp é do Facebook há quase 07 anos, vocês já devem saber. O grupo de Mark Zuckerberger quer agora ampliar as possibilidades de ganhos com empresas ao utilizar, pelo Facebook, a nossa permissão para uso de dados de usuário do Whatsapp – na verdade, nada muito diferente do que já vinha acontecendo no Whats, exceto pela obrigatoriedade em aceitar goela abaixo os novos termos. Aí você pode estar se perguntando o que danado o Tesão Literário tem a ver com isso...

Bom, basta constatar que a maioria dos brasileiros usa este app de mensagens atualmente. Há escritores que compartilham seus originais por este aplicativo. Há até quem crie textos utilizando as conexões geradas pelos corretores automáticos do Whats (sabia?) – sem falar nos grupos de Literatura e até projetos de leitura via este app. Independente de quaisquer questões de uso, obrigar seus usuários a aceitar a nova política de serviços acendeu o sinal amarelo e até vermelho para muitos. Mas o que danado pode acontecer, de fato, com essa atualização de termos de uso do Whatsapp?

Pra começo de conversa, é indispensável reforçar aqui a importância de se pesquisar antes de acreditar em fake news das mais diversas e absurdas – não, as mudanças impostas não afetarão a privacidade das conversas, nem permitirão a captura secreta de imagens pela câmera do seu celular, muito menos que suas fotos e dados se tornem totalmente públicos. Não. Dito isto, a gente protesta mesmo quanto a tal obrigatoriedade de aceitar as mudanças, que têm, sim, muito de oportunismo por ampliar as possibilidades de negócios envolvendo nossos dados para uso de empresas terceiras – seu Zuckerberger não cansa de querer ficar ainda mais rico!

Vale salientar que todos os apps de mensagens instantâneas utilizam nossos dados de alguma maneira. As mudanças propostas pelo Whatsapp não diferem muito do que já vinha sendo feito pela própria empresa – você que mudou para o Telegram ou pro Signal, não pense que está livre de quaisquer políticas comercias invasivas. Privacidade total nunca foi o forte de nenhuma empresa do ramo.

O caráter da obrigatoriedade foi que realmente soou mal (além de outras questões que não ficaram muito claras, como pode ser lido mais abaixo). Até o Procon de São Paulo pediu explicações. A polêmica e a debandada de muitos usuários fez o Whatsapp adiar o início das mudanças de 08 de fevereiro para 15 de maio deste ano e se espera que haja uma revisão na forma da mudança ou, ao menos, uma maior clareza na comunicação com os usuários. Tudo isso parece que ainda vai ter novos capítulos pela frente.

Pra deixar você ainda mais informado sobre o assunto, o Tesão Literário pediu ao CEO da Hood Id, Valdecir Fontes, pra explicar melhor esse imbróglio. Leia abaixo. E fique por dentro.

 

*por Valdecir Fontes (Hood Id)

Os mais de 2 bilhões de usuários do Whatsapp têm que decidir até o dia 15 de maio se aceitam a nova política de privacidade ou deixam de utilizar o APP. A realidade é que, quanto mais avançamos em nossa evolução tecnológica, tanto mais nossa privacidade é reduzida. O assunto do momento é a mudança nas regras de privacidade do Whatsapp, mas você sabia o que era feito antes com os seus dados nesse próprio aplicativo?

O Whatsapp de mensagem instantânea e as redes sociais Instagram e Facebook têm seus códigos-fonte fechados, portanto é muito difícil saber quais dados são coletados e como é a política de compartilhamento, permissões etc dessas plataformas, como também nesses APPs é difícil saber exatamente o que é feito e como são utilizadas essas informações.

Sabemos que o Telegram e o Signal coletam muito menos dados que o Whatsapp. O Signal pede seu número de telefone, mas colocar o nome é opcional; já o Telegram pede o número de telefone, nome, e tem acesso a toda sua lista de contatos, e ambos têm seus códigos-fonte abertos, portanto é possível identificar quais dados são coletados – entretanto, também não podemos saber como essas informações são utilizadas.

Hoje, com o advento do Big Data (análise e interpretação de grandes volumes de dados não estruturados) e da I.A. (Inteligência Artificial), é possível realizar cruzamentos de duas ou mais informações e ter uma nova informação com um nível de certeza absurdo. Posso dar um exemplo: se você compartilha informações de um determinado assunto e esse compartilhamento é feito com pessoas que também compartilham o mesmo tipo de informação, pode-se deduzir quais as suas preferências, tendências, opiniões etc. Isso pode parecer uma coisa banal, mas imagine isso multiplicado por uma comunidade, uma cidade, um país...

Quanto essa informação pode valer para os seguimentos interessados? É exatamente esse o ponto principal alegado pelo Whatsapp para essa mudança nas regras de tratamento de seus dados. A ideia com a mudança é fazer com que as informações que você troca com uma empresa possam ser compartilhadas com várias pessoas, possibilitando oferecer produtos e serviços baseados no perfil e preferências apontados pela I.A.

Entretanto, não é bem assim como eles descrevem em suas declarações. Notem que após você aceitar o novo termo de privacidade, quando você seleciona um determinado assunto para compartilhar com os únicos 05 contatos/grupos, aparecerá uma única vez mensagem informando que aquele assunto será registrado como compartilhado com frequência, e certamente essa informação será acrescentada para compor o seu perfil lido pela I.A. – só que, nesse caso, não se trata obrigatoriamente de informação trocada com empresas.

O Whatsapp e o Facebook declaram em seu comunicado que tem uma criptografia ponto a ponto, e que nem seus funcionários podem saber o que você fala ou compartilha com seus colegas e familiares. No Telegram essa criptografia ponto a ponto é opcional, ou seja, para determinadas conversas você pode ativar o mecanismo de segurança. Além disso, os três aplicativos oferecem a opção de mensagens temporárias, ou seja, que após algum tempo desaparecem.

Hoje a maior moeda do mundo é a informação, e como vivemos praticamente 24h por dia trocando informações com outras pessoas, quem controla e classifica essas informações tem uma grande vantagem sobre outros em seus mercados, políticas etc e, dessa forma, tem em mãos um grande poder de ditar regras e mudar cenários políticos e mercadológicos.

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