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Educação

Cultura de Paz na Escola Diná de Oliveira transforma vida da comunidade

Por: REDAÇÃO PORTAL
 Para marcar o Dia do Pedagogo, a Secretaria de Educação do Recife conta a história exitosa do professor Givanilson Soares, que coleciona milhares de seguidores nas redes com dicas de tutoriais de brinquedos, contação de histórias e vídeo-aulas

Foto: Paulo H/PCR

20/05/2021
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O trabalho como animador cultural fez crescer em Givanilson Soares, professor 1 polivalente, a vontade de fazer pedagogia. Seu intuito era trabalhar em ONGs com projetos que unissem a arte e a educação. Nove anos após se formar, sete deles na rede municipal de educação do Recife, os rumos são outros, mas sem perder a essência. É na sala de aula da Escola Diná de Oliveira, na Iputinga, para uma turma do 5° ano, que ele lida com um dos maiores desafios de sua vida, ensinar. Para marcar o Dia do Pedagogo, comemorado nesta quinta-feira (20), a Secretaria de Educação do Recife conta um pouco dessa história.
 
O Dia Nacional do Pedagogo foi instituído pela Lei nº 13.083/2015 para trazer maior reconhecimento e valorização ao trabalho que o profissional desempenha e que tem por função planejar, executar e coordenar tarefas do setor da educação. O professor Givanilson comemora e afirma que a data é significativa, pois reforça a importância do profissional nos processos educativos, além de reavivar discussões quanto à valorização do educador. Mas afirma que a melhor coisa de ser pedagogo é fazer a diferença na vida das pessoas e mostrar que através da educação podemos construir um futuro melhor.
 
"O maior desafio do pedagogo é vencer as adversidades impostas pela desigualdade social", disse o professor em entrevista. Ele lembra que assumiu uma turma que tinha um comportamento bastante violento, não conseguiam desenvolver trabalhos em grupos por exemplo, e que buscou, a partir de sua experiência de cultura de paz, envolver os estudantes através da inserção das manifestações culturais periféricas nas práticas docentes, levando para as salas de aula propostas de atividades que valorizassem aspectos da realidade sociocultural dos alunos.
 
Givanilson conta que buscou se aproximar da classe através da cultura. A partir de músicas e ritmos musicais conhecidos dos alunos, criou paródias com os assuntos de aula e viu a sala se envolver. "Uma das coisas que mais me marcaram foi um trabalho realizado nesta turma do 5° ano. A partir do momento em que realizamos atividades dentro da proposta da cultura de paz, de trazer coisas que eles já conheciam e gostavam, começamos a perceber mudanças significativas de posturas. Não trouxemos algo de fora para dentro. Comecei a trabalhar de dentro, percebendo a realidade, mostrando respeito pela cultura e a vivência naquela comunidade", contou.
 
"No percurso de construção do trabalho conhecemos diversos artistas que moram nos entornos da escola, conversamos com algumas famílias também, buscando compreender a forma como elas enxergam a instituição, pontos positivos e negativos. Começamos a organização de um evento onde a instituição abrirá as portas para conhecer os trabalhos artísticos da comunidade onde está situada, proporcionando maior aproximação e troca de experiências entre comunidade e escola. Encerramos o ano de 2019 desenvolvendo diversos trabalhos em grupo, o respeito e a empatia se fizeram mais presentes no nosso cotidiano", continuou.
 
O projeto, que iria continuar em 2020, foi suspenso devido à pandemia da covid-19, aumentando o desafio diário de superar as barreiras impostas pela desigualdade social. "Estamos em período bem difícil, que fez a gente se reinventar, justamente neste sentido de gravar aula, de trabalhar de uma forma diferenciada. Mas eu acredito que o desafio maior é fazer com que os alunos das comunidades, da periferia, tenham acesso a esses meios tecnológicos", avaliou.
 
Mas diante dos novos obstáculos, o professor não desanimou. Enxergou nas redes sociais uma oportunidade de expandir o conhecimento com seus alunos, e com um perfil no Instagram com mais de 12 mil seguidores, além de canal no Youtube, compartilha vídeos de tutoriais de brinquedos, contação de histórias, vídeo-aulas, entre outros. "Comecei a perceber que as redes sociais seriam um meio de divulgar o trabalho e as ações para que outras pessoas se inspirassem e pudessem fazer também. Comecei a compartilhar muitas coisas nas redes, gravar vídeo-aulas e compartilhar com os alunos", relatou Soares.
 
A experiência exitosa com os vídeos possibilitou o professor fazer parte da Unidade Educacional para Aulas Digitais da Secretaria de Educação municipal. A iniciativa contará com quatro novos estúdios que possibilitarão a transmissão de aulas pela TV e pela internet e novos equipamentos, que incluem também uma plataforma na internet e ferramentas pedagógicas, contemplando todas as etapas e modalidades de ensino, na perspectiva de fortalecer ainda mais a educação municipal, em função das mudanças impostas pela pandemia da covid-19.
 
"Decidi me inscrever para fazer parte da unidade, porque vai acrescentar no meu trabalho e de alguma maneira eu vou conseguir chegar na casa de mais pessoas. Estou muito feliz, com uma expectativa muito boa, porque não só o meu trabalho, como o de outros professores que estão participando, vai conseguir chegar de uma maneira mais efetiva para a rede de ensino por completo", comemorou.
 
"A escola é um espaço público e deve acolher as manifestações do seu entorno e que a comunidade deve se apropriar desse ambiente no intuito de se estabelecer uma troca de aprendizagens e construção de novos conhecimentos", finalizou o professor.
 
 

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