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Opinião

É proibido proibir

Por: SIDNEY NICÉAS
O escritor e jornalista Claudemir Gomes analisa os últimos acontecimentos do futebol pernambucano a partir de sua ótica única.

Foto: Reprodução/esportesdp.com.br

23/01/2024
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*por Claudemir Gomes

A vitória do Petrolina sobre o Retrô (1x0) e o empate, sem gols, do Náutico com o Maguary, nos Aflitos, foram os resultados que contrariaram os palpites dos apostadores na terceira rodada do Campeonato Pernambucano. Entretanto, os assuntos mais comentados foram os descabidos confrontos entre as torcidas organizadas de Santa Cruz e Sport, antes do Clássico das Multidões disputado no sábado; o inconcebível tratamento dispensado a torcida tricolor na entrada da Arena Pernambuco, uma praça de esportes padrão FIFA, e as estapafúrdias declarações do presidente da FPF, Evandro Carvalho, ao jornal O PODER.

A discussão de ideias sempre foi salutar para a sociedade. Entretanto, discutir não é sinônimo de proibir, impedir, muito menos de exterminar. O presidente da FPF se escudou num direito que não lhe foi facultado, e a nenhuma entidade do futebol brasileiro, para impor suas ideias, seu pensamento malicioso. Com um sarcasmo doentio concedeu entrevista ao PODER, tripudiando sobre profissionais que sempre trabalharam em prol do engrandecimento do futebol pernambucano.

O conceituado jornalista, e imortal, Ângelo Castelo Branco, publicou, recentemente, artigo intitulado: O mundo mudou e afetou os jornais. Embora o post estivesse direcionado para a realidade do jornalismo impresso, nos leva a uma reflexão sobre a metamorfose em curso no rádio brasileiro. “O advento do mundo digital e das tecnologias de informação instantânea disponibilizadas pelas redes sociais, afetaram drasticamente o modelo secular do jornalismo.

A fuga da propaganda para o mundo digital causou danos econômicos irreparáveis nas empresas jornalísticas e, também, no segmento das agências de publicidade. A tecnologia digital substituiu o papel e mudou o conceito no processo de oferta da informação...”, observa Ângelo Castelo Branco.

O questionamento sobre a isenção de pagamento de taxas de rádio e jornal na transmissão de jogos vem do século passado. A FIFA cobra de todos os veículos de comunicação para transmissão dos jogos dos Mundiais. As confederações continentais também passaram a cobrar espaços e direitos de transmissão nas competições promovidas por elas. O futebol brasileiro se propagou, e se fortaleceu, através das ondas do rádio. Isto é fato. Em contrapartida, as empresas de comunicação tinham à disposição, um produto para aquecer seu departamento comercial. Um produto cuja procura era maior que a oferta: o futebol.

Mas o mundo mudou. O rádio AM nem existe mais. O espaço físico, reservado no estádio para abrigar a imprensa esportiva, com a enxurrada de rádios FM e Comunitária, mais recentemente com os canais na web, se tornou diminuto. O fechamento de portas e aberturas de janelas têm dificultado os ajustes, criando interrogações sobre direitos e deveres. A única coisa que o tempo não muda são as marcas registradas no caráter de cada um. Se você nasceu com o veneno do escorpião, nunca terá a ternura da borboleta, pelo contrário, aproveitará situações de vulnerabilidade para destilar seu veneno.  

O futebol pernambucano se apequenou na última década. Não há como contestar tal fato. Mas isto não é efeito do trabalho da mídia esportiva. É a resposta a má gestão observada nos clubes e na Federação. Sabemos que “não há tempo que volte”, mas o passado recente provoca uma saudade danada.

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Claudemir Gomes é jornalista e já cobriu 4 copas do mundo. Começou como repórter no Diário de Pernambuco, onde foi depois colunista e editor.

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