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Literatura

Fernanda Castro, Mariposa Vermelha e a Romantasia

Por: SIDNEY NICÉAS
Conversamos com Fernanda Castro, autora de Mariposa Vermelha, romance que bebe diretamente no Fantástico

Foto: Divulgação/Tesão Literário

03/09/2023
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*por Sidney Nicéas

Ainda que o termo Romantasia soe desnecessário quando analisamos a produção literária amparada no gênero Fantástico, essa derivação, mais didática e comercial do que qualquer outra coisa, acaba trazendo à lume uma nova geração de autores e autoras que têm dado mais “tutano” às obras que têm foco entrelaçado nas histórias românticas e na Fantasia. Uma delas é Fernanda Castro, que lançou recentemente no Recife “Mariposa Vermelha” (Editora Suma, 2023) e que estará semana que vem na Bienal do Rio de Janeiro e, em outubro, na Bienal de Pernambuco.

A obra traz a história de Amarílis, uma jovem que, com a ajuda de um demônio, embarca em uma jornada para enfrentar o passado, descobrir a própria força e assumir sua verdadeira essência. “Mariposa vermelha é uma fantasia apaixonante e empoderadora, permeada por monstros insólitos e corriqueiros, relações intensas e amores imprevisíveis. Na cidade de Fragária, sob o domínio da República, a magia é proibida, e Amarílis conhece como ninguém o perigo de quebrar as regras. Para evitar o destino trágico que teve sua mãe, a jovem tecelã mantém a cabeça baixa e os fios de seus poderes bem amarrados. Quando, por acaso, se vê diante do homem que causou a ruína de sua família, Amarílis decide convocar um demônio e fazer um pacto: ela quer a morte do general que destruiu sua mãe. Mas sua oferenda é muito simples, e Tolú, o Antigo que atende seu chamado, não pode tirar uma vida por um preço tão baixo. Ele pode, porém, ajudar Amarílis a enfrentar seus medos enquanto ela faz justiça com as próprias mãos” (trecho do release oficial da obra). 

Fernanda conta que construiu a personagem principal em plena Pandemia. “Construí Amarílis como uma reação ao papel social que se espera das mulheres belas, recatadas e do lar, mas também uma evolução da construção feminista de protagonistas fortes. Escrevi a história durante a pandemia, que coincidiu com uma das fases mais tenebrosas da minha vida pessoal. Acho que eu tinha muitas coisas para colocar para fora”, revela.

Apaixonada por Fantasia, a autora já publicou “O Fantasma de Cora” e “Lágrimas de Carne”. “Mariposa Vermelha” é seu livro mais recente, publicado numa das editoras do grupo Cia das Letras, a Suma. Hoje, além de autora, Fernanda faz também trabalhos de tradução e preparação de texto, que a aproximam ainda mais do mercado editorial. Em Mariposa Vermelha, ela exerce o que mais lhe atrai na denominada Romantasia. “É um gênero que gosto muito e propício para livros focados em desenvolvimento de personagem, já que estamos sempre refletindo sobre seus sentimentos e relações. Sempre me agrada essa "autópsia" do personagem”, crava.

Fernanda Castro estará na Bienal do Rio nos próximos 06 (18h no estande Suma/Cia das Letras) e 08 (16h no estande Gutenberg/Autêntica - e 18h no estande Suma/Cia das Letras). Em outubro, a autora participa de duas mesas na Bienal de Pernambuco, ainda com detalhes a serem divulgados. Confira abaixo a entrevista concedida para a jornalista Maria Anna Martins, exclusiva para o Blog Tesão Literário - ao final, saiba como adquirir o livro e contatar a autora.


TESÃO LITERÁRIO- O livro é uma Romantasia, pode falar um pouco a razão de ter escolhido esse gênero? Como o enredo surgiu? 

FERNANDA CASTRO- É um gênero que consumo bastante, que une duas vertentes que adoro. Além disso, acho que é um gênero propício para livros focados em desenvolvimento de personagem, já que estamos sempre refletindo sobre seus sentimentos e relações. Sempre me agrada essa "autópsia" do personagem. No caso de Mariposa, eu sabia que queria contar a história de uma protagonista que guardasse uma raiva imensa no peito e nunca colocasse esse lado "feio" para fora, e eu queria contar a história de como ela enfim se permitiu a fazer isso. E que melhor metáfora para aceitar um lado mais sombrio de si mesma do que flertar com um demônio?

TL- Por que "Mariposa Vermelha"? Algum simbolismo atrelado?

FC- Preciso confessar que sou péssima com títulos! Mariposa Vermelha foi 100% uma sugestão dos editores do livro. Porém, o símbolo da mariposa vermelha é de fato algo que permeia todos os temas do livro. A mariposa é um animal da noite, silencioso e um tanto místico, que passa por uma metamorfose incrível ao longo da vida e que é capaz de se atirar à morte por puro deslumbramento ao ver o fogo. É também a versão "sombria" das borboletas, mais diurnas, coloridas e felizes, que costumam ser muitas vezes associadas ao imaginário do que se espera das mulheres. O vermelho reforça essa simbologia de pecado, tentação e sangue que permeia a transformação da Amarílis.

TL- A protagonista traz uma raiva dentro dela, algo que rege a premissa do livro e difere de muitas personagens normalmente boazinhas que existem no gênero. Por que Amarílis foi construída dessa forma? 

FC- O chamado "female rage" (que vou traduzir porcamente como raiva feminina) tem sido uma tendência na literatura. É uma reação ao papel social que se espera das mulheres belas, recatadas e do lar, mas também uma evolução da construção feminista de protagonistas fortes. Se antes tínhamos a mocinha indefesa e delicada e depois a heroína perfeita e destemida que nunca precisava da ajuda de ninguém para nada, agora as mulheres dos livros também gostariam de mostrar que não é preciso ser coisa alguma, que temos defeitos, medos, ambições, raivas e também muitas virtudes, assim como todo mundo. É uma quebra de expectativa para os dois lados. No caso da Amarílis, escrevi a história durante a pandemia, que coincidiu com uma das fases mais tenebrosas da minha vida pessoal. Acho que eu tinha muitas coisas para colocar para fora.

TL- Você está confirmada para a Bienal do Rio de Janeiro e a de Pernambuco, dois dos maiores eventos literários do país… 

FC- Vão ser minhas primeiras Bienais participando como autora, então estou bem empolgada, com aquele friozinho na barriga de encontrar tanta gente entre leitores e colegas queridos de trabalho. Minha expectativa é de que seja uma grande festa (até porque, além de promover meus livros, também vou estar tietando outros autores). Para a Bienal do Rio, terei horários de autógrafo nos estandes da Gutenberg (Autêntica) e da Suma (Companhia das Letras). Já na Bienal de Pernambuco estarei presente em duas mesas cujos horários serão divulgados em breve.

TL- "Mariposa Vermelha" foi publicada pela Suma, um selo grande no mercado editorial. Como vem sendo a experiência de ver seu livro em muitos pontos de venda no país?

FC- Ao mesmo tempo que é a realização de um sonho, é também um grande desafio. Acho que o mais difícil é justamente tentar se fazer presente em tantos lugares. Adoraria ir em eventos por todo o país, participar de ações para promover o livro com criadores de conteúdo de vários estados, mas sabemos que a logística para isso é complicada. Mas é muito gostoso ver o livro sendo distribuído pelo Brasil inteiro.

TL- Você cresceu no Recife e sabemos que suas obras se passam em lugares fictícios. Mas existem elementos do Recife e da sua vivência nessas histórias, especialmente em Mariposa Vermelha? 

FC- Acho impossível que um autor não acabe colocando suas vivências nas histórias que escreve, não exatamente de forma direta, mas porque o lugar em que vivemos e a cultura onde estamos inseridos molda muita coisa da nossa visão de mundo. No caso de Mariposa, algo que usei bastante como referência foi a arquitetura do Recife Antigo, com os sobrados, as pontes, as ruas de pedra e os rios cruzando a cidade.

TL- A capa de "Mariposa Vermelha" se destaca muito. Pode falar um pouco sobre como foi o processo para criação? 

FC- Eu já era muito fã da Joana Fraga, acompanhava sempre o trabalho dela. Quando a editora começou a planejar a capa, me pediram algumas referências visuais para inspirar a equipe. Preparei uma apresentação com as principais imagens e coloquei no final uma listinha de artistas que eu adoraria ver no livro. A Joana era a primeira da lista. Quando a Fernanda Dias, minha editora e xará, falou que tinham fechado com ela, só faltei sair correndo pela casa. A partir daí, só fui ver a capa depois de pronta (olha aí um desafio de trabalhar em um selo grande, os setores da Companhia das Letras são bem separados e independentes, não tive contato com o processo da capa). Como esperado, fiquei apaixonada. Acho mesmo que é minha ilustração favorita da Joana até hoje. Capta muito bem a atmosfera da história.

TL- Como está sendo a recepção dos leitores?

FC- Está sendo maravilhosa! Sou muito grata pelo carinho que Amarílis e Tolú estão recebendo. Uma coisa que tem me deixado particularmente feliz é a quantidade de leitoras que me procuram após ler o livro para dizer que se identificaram com a raiva de Amarílis, com essa vontade de jogar tudo para o alto. Acho uma coisa muito poderosa quando um livro consegue fazer uma pessoa parar e pensar "nossa, eu entendo essa personagem, é exatamente isso que estou sentindo!".

TL- O lançamento de Mariposa Vermelha foi na livraria Leitura do RioMar e os registros do evento foram bem divulgados. Conta um pouco como foi…

FC- Com certeza o que mais me marcou foi o clima de celebração no lugar, muita gente curtindo estar entre colegas do meio literário na nossa própria cidade. Claro que Mariposa Vermelha estava em destaque, mas acho que o lançamento foi também um espaço para as pessoas conversarem, se conhecerem e trocarem figurinhas. Tanto é que, logo depois, foi feito um grupo no Instagram para que os criadores de conteúdo presentes pudessem seguir em contato, articulando ações, indo a eventos e tal. Acho muito benéfico alimentar essa cena local. Queremos que as editoras concentradas na região Sudeste também olhem para cá.

TL- Quais os planos para o futuro como escritora?

FC- Continuar divulgando meus livros e, com sorte, escrever mais um bocado. Tenho algumas ideias na gaveta precisando de tempo para subirem à superfície. Também gostaria de participar mais dos eventos nacionais e conhecer leitores em outros estados.

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PARA COMPRAR MARIPOSA VERMELHA

https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788556511836/mariposa-vermelha 

PARA CONTATAR A AUTORA

https://www.instagram.com/fernandaversa/ 

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