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Economia

Intenção de consumo dos pernambucanos volta a recuar em outubro

Por: REDAÇÃO PORTAL
A queda era esperada, visto que a pesquisa de Sondagem de opinião para o dia das crianças de 2020 apresentou resultado negativo.

Foto: Reprodução internet

03/11/2020
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O índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) Pernambucanas, indicador utilizado para medir a avaliação que os consumidores em Pernambuco fazem sobre aspectos importantes da condição de consumo, como a sua capacidade de consumo, atual e de curto prazo, nível de renda doméstico, segurança no emprego e qualidade de consumo, presente e futuro, apresentou queda, após duas altas consecutivas, em outubro de 2020, reflexo de um mercado de trabalho ainda muito deteriorado e sem condições de dar respostas mais rápidas na geração de emprego formal. É importante destacar que o indicador serve como um antecedente do consumo, a partir do ponto de vista dos consumidores, desta forma, crescimentos (redução) no indicador significam um aumento (queda) no consumo das famílias para o período indicado.

A queda era esperada, visto que a pesquisa de Sondagem de opinião para o dia das crianças de 2020 apresentou resultado negativo. O percentual de pernambucanos que informou pretensão de comemorar a data foi minoria, apontando assim uma queda na intenção de consumo das famílias para um mês que possui uma data importante no calendário de consumo das famílias. Vale destacar que o segundo semestre apresenta suas peculiaridades e acontecimentos que impactam o poder de compras da população.

O primeiro deles é a redução do valor pago no auxílio emergencial, que teve queda de 50%. É importante lembrar que o benefício injetou mais de R$ 7 bilhões de reais na economia do Estado em praticamente 7 meses, o que contribuiu de maneira significativa para a continuidade do consumo das famílias mesmo na pandemia. O pagamento contribuiu para redução da pobreza e conseguiu amenizar a queda da renda vinda do mercado de trabalho. Com a alteração do valor, grande parte das famílias que recebem o pagamento até dezembro terão redução em seu poder de compras, puxando a intenção de consumo para baixo.

O segundo é o endividamento das famílias ainda em níveis altos quando comparado com os anos anterior. O percentual de famílias que informam ter conta em atraso ou já se encontram inadimplentes continua preocupante, visto que esta condição retira o crédito e limita o orçamento, criando mais uma força para reduzir a recuperação do consumo das famílias.

Já o terceiro ponto é o mercado de trabalho formal que ainda não apresentou aquecimento suficiente para voltar a gerar vagas a um nível considerado ideal. Os setores ainda apresentam o movimento de recuperação das perdas da pandemia, o que não gera incentivos para novos investimentos e contratações. O saldo de empregos formais em Pernambuco voltou a ficar positivo em julho e agosto, mas é importante lembrar que a sazonalidade vem agindo nesses números, visto que a safra da cana-de-açúcar foi iniciada e tem efeito significativo na geração de empregos dentro do setor. Mas vale lembrar que mesmo com a ação da indústria da cana o saldo negativo no estado atinge aproximadamente 50 mil vagas. A expectativa é de que a geração de vagas temporárias amenize a situação, porém a criação deste tipo de emprego também apresenta força reduzida, já que o canal de vendas da internet vem se fortalecendo e não precisa de mão de obra intensiva como nos estabelecimentos que atuam no canal físico.

O indicador atingiu os 59,3 pontos, ante 59,6 de setembro de 2020 e 85,4 do mesmo período do ano anterior. Mais uma vez é importante lembrar que a intensão de consumo continua na zona de avaliação negativa, abaixo dos 100 pontos, e esta condição vem desde agosto de 2015, refletindo que a crise iniciada no ano em questão foi tão crítica que o consumo da população ainda não mostrou recuperação suficiente para atingir um nível de satisfação da pesquisa. O movimento do consumo das famílias pernambucanas segue movimento contrário ao nacional, visto que em outubro apresentou crescimento.

Na análise por indicadores, verifica-se que o nível de consumo atual apresenta a maior queda, sendo este o mais impactado pela queda do valor do auxílio emergencial, mercado e trabalho lento e endividamento elevado. Para o mês de novembro a expectativa é de retorno de alta da intenção de consumo, visto que o mês possui uma data importante para o calendário de consumo que é a Black Friday, além de ter o pagamento da primeira parcela do décimo terceiro salário, o que incentivará o consumo local e contribuirá para que o indicador volte a se recuperar.

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