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Cultura

Música sustentável: para o planeta (e para a alma)

Por: SIDNEY NICÉAS
Nido Pedrosa realiza um trabalho extraordinário criando instrumentos musicais a partir do lixo

Foto: Divulgação

13/11/2022
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*por Sidney Nicéas

Fazer o certo nesse planeta custa caro - e olhe que não estamos falando de precificação. Batalhar pela arte e pelo meio-ambiente, unindo música e sustentabilidade, tem sido a vida de Nido Pedrosa nos últimos 43 anos. O cara que aprendeu sozinho, enquanto criança, a fazer seus próprios instrumentos de percussão e bateria com baldes e panelas, cresceu consciente de que esse caminho poderia ser o seu, o de melhorar a vida humana fazendo o que mais ama. Mas não tem sido nada fácil. Buscando parcerias para viabilizar o seu segundo disco, “Nido Pedrosa, no Som da Sustentabilidade”, o artista segue transformando lixo em instrumentos musicais, reciclando mentes e, acima de tudo, promovendo um importante papel em prol de um desenvolvimento sustentável.

“A sucata associada à música é o fio condutor deste trabalho de conscientização do público sobre a importância de ações sustentáveis, para reforçarmos os movimentos de despoluição do nosso Meio Ambiente. Através da nossa arte, repassamos e deixamos uma experiência de reflexão e isso tem uma projeção a curto, médio e longo prazos imensuráveis! Não temos tempo a perder e o planeta precisa da nossa ajuda, é muito preocupante acompanharmos todos os dias nos meios de comunicação os desmatamentos, queimadas, poluição dos rios e oceanos, catástrofes e as mudanças climáticas que estão ocorrendo rapidamente em todo o globo por fatores antropogênicos (aqueles cometidos pela ação do homem). Precisamos cada vez mais transformar, reciclar, reutilizar e adotar uma nova ideia para combater a degradação do nosso Meio Ambiente”, revela Nido.

Ressignificando o lixo e ensinando pessoas a fazerem o mesmo, este pernambucano radicado em Caruaru (PE), instrumentista, compositor e produtor musical ministra workshops que ensinam a criar instrumentos a partir do lixo, faz shows com instrumentos musicais feitos de sucata, promove o conceito de sustentabilidade através da arte, transformando em espetáculo a prática do reuso dos resíduos sólidos. Nido tem levado Pernambuco para o mundo através de um arrojado e criativo trabalho de música socioambiental, acompanhado sempre por músicos renomados e tocando, claro, uma poderosa percussão feita de sucata. O instrumentista apresenta sonoridades através dos objetos descartados no Meio Ambiente e transforma o lixo em luxo: panelas, chaves, latas, ferramentas, garrafas PET, entre outras peças descartadas pela ação do homem são reaproveitadas pelo "músico ambiental".

A gente bateu um papo com Nido Pedrosa sobre esse trabalho poderoso e não tão reconhecido assim - já fez seu nome no meio, dentro e fora do Brasil, mas a luta para ganhar a mídia e o reconhecimento oficial por esse trabalho de vulto ainda é insana. Na conversa ele fala sobre seu trabalho, a urgência em salvar a vida humana, a luta para conseguir financiar projetos, arte, políticas públicas, a COP 27 e mais. Leia abaixo e se “contamine”... (ao final, deixamos os contatos do artista)

 

TESÃO LITERÁRIO- Ressignificar o lixo pela arte é um dos caminhos para tentar amenizar o problema do meio-ambiente. Quais impactos você consegue medir diante desse trabalho?

NIDO PEDROSA- A própria palavra ressignificar já diz tudo e traduz o meu trabalho: “Verbo transitivo direto: Atribuir um novo significado a; dar um novo significado a alguma coisa...”. Então, meu trabalho não tenta, mas ameniza os impactos no nosso planeta, porque, a partir do momento em que eu resgato os resíduos sólidos depositados no Meio Ambiente das nossa cidades e os transformo, transmuto em uma instrumentação musical para gerir uma música de qualidade, estou resolvendo parte do problema, disponibilizando minha contribuição como cidadão, que é dar destino à sucata. São milhares de toneladas de lixo despejados todos os dias nas ruas, córregos, rios e oceanos pela ação do homem. Através da força do meu trabalho, contribuo para resolver parte dessa questão e vou minimizando os impactos ambientais do nosso planeta através de uma ferramenta importante, criativa e poderosíssima, que é a música!

TL- Por que ações sustentáveis na música ainda são tão pontuais? Falta uma maior conscientização dos artistas? Faltam políticas públicas específicas? Um maior apoio de empresas privadas? Quais os maiores gargalos?

NP- Vejo que os maiores gargalos são: 1- Afunilamento de espaços para divulgação na mídia, na TV aberta nos programas de televisão que atingem o grande público no Brasil e que possa tratar este tema como prioritário! Existem excelentes trabalhos de cunho socioambiental com informações contundentes, mas faltam realmente investimentos maciços em informações, cursos que ensinem a classe artística e nossa sociedade a trabalhar neste setor da música sustentável - uma música que utiliza a sucata para gerir qualidade sonora. Trabalhar com resíduos sólidos para transformação de instrumentação musical não é fácil, exige e requer muitas habilidades, conhecimentos de timbragem, criatividade e muita sensibilidade. 2- Também faltam mais políticas públicas e investimentos nessa área, para levar adiante esta atividade para as escolas públicas e privadas, universidades, faculdades e assim poder debater esta questão e fazer despertar os múltiplos talentos das nossas crianças, adolescentes e sociedade de um modo geral. Desta forma é que vamos poder incutir a importância da sustentabilidade e da educação ambiental nestes jovens e na nossa sociedade como um todo. Sendo assim, um projeto dessa natureza passa a figurar como um trabalho de base para proteção do nosso planeta. 3- Faltam apoios das empresas privadas, setores de Marketing, Departamento de Promoções, Gestão Ambiental, Departamento de Relações Públicas, Departamento Financeiro para projetar e injetar investimentos maciços nesta área de projetos ligados à música socioambiental, que estejam voltados para formação em música sustentável e apresentação artística. Percebo que os investimentos em sua maioria são voltados para a distribuição de cestas básicas para matar a fome dos necessitados, mas se não cuidarmos do nosso meio ambiente, do nosso planeta, possibilitando dar destino a milhões de toneladas de lixo que são gerados todos os anos no nosso Meio Ambiente, não vai adiantar muito a política das empresas em apenas doar dinheiro para distribuição de alimentos aos necessitados.... pois usar a economia criativa para gerir negócios reutilizando o lixo e ainda promover a educação ambiental, para que nossa sociedade possa adotar de vez uma coleta seletiva em todos os lares, empresas de serviços, comércio e na indústria e assim, incentivarmos a utilização da matéria prima “lixo”, para conseguirmos dar destino a milhares de toneladas... incentivando projetos de produção musical, produção de artesanato, com o lixo orgânico a produção de combustível e geração de energia, adubos, compostagem, entre outras atividades. Se não tivermos os investimentos nestas atividades especificas nosso planeta não sairá do colapso em que se encontra. Não adianta concentrar o foco apenas para o Efeito Estufa, com os holofotes voltados para o cisco no olho que é a produção do Petróleo e os gases gerados pelas indústrias, o que intensifica o Efeito Estufa na atmosfera.

 TL- Mas não dá para dizer que combater esses males não tem relevância, não é? Cientes de que você concorda, a gente lembra que neste momento está sendo realizada a COP 27…

NP- Claro que é importantíssimo combater isso, estes males, é fundamental gerarmos energia limpa. Mas o que fazer ou onde colocar tanto lixo? Eis a questão! Isto é a pedra no sapato dos ambientalistas! A questão é muito complexa, porque temos que nos preocupar com um leque de fatores que é altamente poluente e prejudicial para o planeta. Perceba as catástrofes e mudanças climáticas que estão ocorrendo rapidamente em todo o globo por fatores antropogênicos, nosso planeta está pedindo socorro e muitas pessoas, empresários, empresas e indústrias que poluem indiscriminadamente não estão percebendo isso? Ou estão fechando os olhos em detrimento ao faturamento de grandes somas? Veja você, que na COP 27 que está acontecendo no Egito, os países participantes, eu tenho acompanhado, debatem sobre adaptações climáticas, mitigação dos gases do efeito estufa, impacto climático na questão financeira e colaboração para conter o aquecimento global, ok tudo isso é importante... Mas onde estão os debates sobre a reutilização do lixo? Dar destino a milhões de toneladas de resíduos sólidos? Como resolver essa questão? Como criar mecanismos para que as grandes nações e os países em desenvolvimento coloquem freios na poluição? As grandes empresas no Brasil e em várias partes do mundo acumulam verdadeiras fortunas, bilhões de dólares, mas estão gerando resíduos em toneladas desenfreadamente, muito plástico e garrafas PET – segundo os estudiosos sobre o tema, “em três décadas haverá mais plásticos nos oceanos que peixes”. Então, estas empresas poluentes têm que investir pesado parte dos seus lucros em projetos que minimizem os impactos ambientais no nosso planeta. Essas questões têm que entrar em pauta nestas conferências, pois essas atividades geram muitos lucros e trazem danos homéricos para o planeta terra e, consequentemente, para toda a nossa sociedade.

TL- Seu trabalho é marcado não somente pela questão socioambiental, mas também pela qualidade, tendo parceria com nomes de peso da música e obtendo grande reconhecimento. Como tem sido a receptividade no meio artístico?

NP- Muito boa, tenho recebido muitas mensagens de elogio ao meu trabalho, à minha iniciativa de criar o projeto de música Socioambiental Sucateando – A Música Sustentável, um projeto que comecei em 1979 quando não se falava tanto sobre a poluição do Meio Ambiente ou despoluição das águas, não era comum falar sobre estes temas. Mas felizmente isso avançou muito, ainda está distante, mas avançou. Em 2015 recebi o apoio incentivo do Funcultura – Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura, Fundarpe – Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco,  Secretaria de Cultura do Estado e Governo de Pernambuco para produzir e gravar meu trabalho. Tive várias participações de peso da música pernambucana, nordestina e brasileira, grandes instrumentistas que acreditaram no meu ideal, no ideal deste trabalho. Eles perceberam que este projeto era um diamante que precisava ser lapidado e, assim, contribuíram com seus talentos. Entre importantes músicos estão o guitarrista Paulo Rafael, importante instrumentista e arranjador responsável pela carreira de Alceu Valença desde a década de 70 – In Memoriam; o violeiro Adelmo Arcoverde; os contrabaixistas Nando Rangel e Braulio Araujo; o saxofonista e maestro Spok, líder da Spok Frevo Orquestra; saxofonista Beto Saroldi, que gravou e excursionou com Gilberto Gil e outros grandes nomes da nossa música; Zé da Flauta, importante produtor da música pernambucana de notoriedade internacional; Mestre Edmilson do Pífano, um dos maiores pifeiros que Caruaru-PE, o Brasil e o mundo já conheceu – In Memoriam; Maracatu Nação Pernambuco; o violoncelista Fabiano Menezes; o violinista José Carlos dos Santos; o violinista Dadá Malheiros; o guitarrista Riva Le Boss; o mestre Bernardino José; e o guitarrista Breno Lira; dentre outros músicos não menos importantes. Na plataforma musical N1M – Number One Music, este trabalho já conta com mais de 250 mil players e visualizações do perfil, com inúmeras mensagens de elogio ao trabalho. É gratificante ver um projeto proveniente da reutilização dos descartes de resíduos sólidos tomar essa proporção de notoriedade, sinal que estou indo pelo caminho certo, alinhado com a política de sustentabilidade global, usando o poder da minha arte para impactar e transformar o mundo e as pessoas para melhor. Além disso, deixo um legado importante para a música pernambucana e brasileira, além de proporcionar não somente para a nossa geração, mas para as futuras, uma melhoria da qualidade de vida através da minha música sustentável!

TL- Você cria e ensina a transformar lixo em instrumentos musicais. Conta pra gente como é essa magia… 

NP- É fantástico. Isso foi uma das coisas mais fabulosas que aconteceu na minha vida, uma brincadeira de criança. Como dizia o filósofo Platão, “A necessidade é a mãe da invenção”. Eu, quando menino, era apaixonado por música e não podia comprar instrumentos musicais, daí pegava latas, tampas de panelas, pratos, baldes e montava minha bateria, minha percussão. Isso possibilitou um aprimoramento com desenvolvimento incrível para uma criança. Adquiri uma aptidão ímpar neste negócio e, hoje, viajo para as cidades ministrando workshop. Estive em Belo Horizonte (MG) onde ministrei um curso no Museu Clube da Esquina, principal reduto da música mineira. Estive também em Florianópolis (SC), onde ministrei um workshop durante a inauguração da primeira etapa do Parque Ecológico do Sul da Ilha. Participei da primeira Conferência Brasileira de Mudança do Clima, que aconteceu no Recife, onde ministrei a palestra “O Som da Sustentabilidade – Resíduos Sólidos Uma Referência Musical”. Participei da live “Juntos”, do Rotary Clube Internacional, como convidado especial. O Canal Futura fez um documentário de 15 minutos sobre este meu trabalho – o episódio 45, denominado O Rei da Sucata, foi exibido no programa Sebastiana Quebra Galho, ficou rolando durante 4 meses, reprisando três vezes ao dia. Foi ótimo ganhar este espaço e poder mostrar meu trabalho para milhões de pessoas em várias cidades brasileiras e várias partes do mundo através do canal Futura. Agora estou empenhado numa segunda etapa do meu trabalho, denominado “Nido Pedrosa no Som da Sustentabilidade”. Neste meu novo projeto produzo tambores com latas de tintas descartadas no meio ambiente e peles feitas com plástico de garrafas PET, e conta com uma nova leva de grandes músicos de prestígio internacional.

TL- Como tem sido a luta para viabilizar esse seu 2º disco? Mais: como é “correr atrás” de apoio financeiro? Um trabalho desse não precisaria ter tanto esforço assim para ser viabilizado, não acha?

NP- É realmente uma luta conseguir viabilizar um trabalho de música socioambiental, buscar patrocínio, apoio financeiro! Isso porque é muito comum ver as pessoas ainda perdidas em relação a essa questão de degradação do nosso planeta, às mudanças climáticas, elas estão perdidas sem saber para que lado ir! Fazer um trabalho que incentiva a proteção do planeta ainda é muito difícil; melhorou muito desde a época que comecei com isso, há 43 anos. Isso se dá em primeiro lugar porque a maioria das pessoas não se deu conta que é possível fazer coisas incríveis se utilizando resíduos sólidos, descartes do lixo que é jogado nas ruas em toneladas todos os dias. Deveria haver maiores incentivos para os projetos que usam uma política de reuso dos resíduos sólidos, como é o caso do meu projeto, “Sucateando, A Música Sustentável” e “O Som da Sustentabilidade”, além de outros projetos incríveis que conheço. Mas vejo que a culpa maior dessa falta de incentivo é da própria mídia e o consumo desenfreado da vida contemporânea. O Marketing e promoções incentivam o consumo estratosférico. É terrível isso, porque afeta o planeta, contribui para a poluição e degradação do nosso Meio Ambiente. Hoje, antes de consumir, eu me pergunto: Preciso mesmo comprar isso? Penso várias vezes antes de efetuar uma compra que contribuir para causar danos ao planeta. Ensino isto para meu filho de 07 anos e sou muito feliz por ter minha filha em Gestão Ambiental – foi magnífico vê-la participando de projetos ambientais de proteção às tartarugas marinhas! Excelente... Parabéns Amanda pelo seu trabalho!

TL- Como é perceber de perto a transformação também das pessoas impactadas diretamente pelo projeto?

NP- É maravilhoso, porque ao mesmo tempo que você ensina técnicas para aproveitamento da sucata, para construção de instrumentos musicais, e vai ensinando uma arte muito peculiar, você também transforma as pessoas para que tenham atitudes melhores com relação ao nosso planeta. Você torna aquelas pessoas em seres melhores, que se permitem deixar aflorar o amor pelo oceano, rios, fauna, flora e pelo nosso Meio Ambiente! Não conheci uma pessoa que tenha participado dos meus workshops que não saísse de lá um ser melhor... Tiveram algumas pessoas que até me disseram: “Mestre, depois que participei do seu curso não posso mais ver uma sujeira no chão da nossa cidade que eu não tenha vontade de limpar... não posso ver ninguém atirando lixo nas ruas que eu não tenha a atitude de ir lá pedir o favor de não mais fazer isso”. Então, ter este retorno das pessoas, ter o poder de transformar para melhor, fruto do meu trabalho, é muito gratificante!

TL- O descarte consciente, como você mesmo já pontuou, está longe de ser praxe no mundo hoje, mas é uma prática que tem avançado. Por que não temos a cultura de cuidar da casa em que vivemos?

NP- Essa prática de cuidar do planeta, a nossa casa maior, realmente está muito longe ainda. Isso se dá porque nós humanos, por herança ancestral, somos animais predadores. Também temos a falta de apoio para projetos ambientais e que promovam a política de reuso. Temos também a falta maciça de divulgação na mídia que conscientize as pessoas sobre o tema e Leis mais severas contra empresas, indústrias e pessoas que poluem e desmatam indiscriminadamente o nosso planeta. Tem que haver prisões e não apenas o pagamento de multas irrisórias para quem agride nosso Meio Ambiente, com desmatamento, poluição das florestas, dos rios, córregos e oceanos. Se ficarmos deixando isso acontecer, vai virando um costume, rotina, todos nós pagamos o preço e recebemos de volta as repostas infelizes que o planeta nos dá: catástrofes e mudanças climáticas que, como falei anteriormente, estão ocorrendo rapidamente em todo o globo por fatores antropogênicos. Volto a repetir: o PLANETA PEDE SOCORRO! Os recursos naturais, se não cuidar, vão acabar!

TL- A política, que deveria ser o meio mais eficiente para mudar a realidade do país, se esquiva do correto ante interesses econômicos. O voto ainda é o meio mais eficiente para melhorar isso? Ou não dá para ser otimista?

NP- Vivemos numa Democracia e a nossa Constituição precisa ser sempre respeitada, acima de tudo! O voto ainda é o meio mais eficiente para mudanças, mas precisamos de uma reforma política e a derrubada da imunidade parlamentar. Os políticos corruptos se escondem atrás da imunidade parlamentar para cometer seus delitos, vão postergando com recursos as ações que depois prescrevem e eles ficam impunes. A sociedade, por sua vez, tem que cobrar dos políticos as mudanças, não vender seus votos, não tratar a política como se fosse um time de futebol com torcidas e tudo mais. Para mim, por exemplo, um candidato que ainda está como presidente da república para se candidatar à reeleição, tem que entregar o cargo e partir para a campanha de reeleição, e não se prevalecer da máquina pública para fazer campanha. Temos que derrubar as verbas homéricas de gabinetes, como auxilio paletó, auxilio viagens, combustíveis, tratamento dentário, auxílio escola para os filhos de políticos e por aí vai. Os caras querem cortar gastos, mas têm que começar por eles, que mamam nas tetas do governo! Isso tem que acabar já, não dá mais para aguentar! Como podemos ser otimistas com uma política corrupta dessas?  

TL- Nessa esculhambação toda que vimos vivenciando, politicamente falando, sairemos mais amadurecidos? Ou a coisa ainda tende a piorar até, quiçá, melhorar?

NP- Acho que a cada dia que passa amadurecemos mais. Vamos nos reinventando diante de tanta hipocrisia e de tanta esculhambação. Mas isso se dá por intermédio da própria mídia, que entrega a contracultura para nossa sociedade. Volto a repetir que, por culpa da mídia, que promove a bagaceira, será difícil amadurecer tão logo. Num país que promove uma cultura literária na música que diz “desenrola... Bate e joga de ladinho”... Onde de um modo geral, artistas, atores no Tik-Tok, programa de TVs vão repetindo essa bagaceira, presenteando as camadas da sociedade nas classes A, B, C, D, que vão replicando essa pobreza de festa... Neste formato cultural, como se pode melhorar uma sociedade? Formar cidadãos, com formação de opinião, politizados, que reconheçam sua própria cultura de base, que forme opiniões acerca da política para uma mudança radical de costumes. Vejo uma distância muito grande que eu não conseguirei alcançar, mas vou resistindo e fazendo minha parte para que meu filho, de 07 anos, e minha filhinha, de 01 ano, possam alcançar uma mudança para melhor e viver uma sociedade mais justa, mas inclusiva, com mais respeito pelas pessoas independentemente de cor, raça, credo e religião, com muito amor pelo próximo. Só o amor  e o respeito às diferenças transforma para melhor!

TL- Como é ter a arte como meio de vida, ainda mais com essa proposta sustentável, num país em que a cultura tem sido demonizada e o meio-ambiente detonado?

NP- Tem sido uma resistência, sou de uma geração que não desiste nunca. Passei por movimentos transformadores, na música, apreciei mudanças na ciência, na tecnologia, no conceito de vida. Sou da geração da década de 60, uma geração que transformou os hábitos das pessoas que viviam na casinha, num quadrado. Minha geração mostrou para o mundo que a Terra não era quadrada e sim redondinha. Fui um garoto que aprendeu a transformar! Veja bem, consegui transformar lixo em luxo! Então, meu nobre, o que vier daí para frente é lucro! A batalha é grande, principalmente num país onde vivo que está na contramão da cultura; ao invés de livros o governo quis dar armas, as pessoas perderam o respeito pela vida, tratam a vida como uma coisa banal. É muito triste ver tudo isso acontecendo depois de tantas conquistas e mudanças com uma constituição melhoradíssima. 

TL- Música pra você é…

NP- A palavra do pensador e filósofo Platão diz tudo: ‘A música é a educação da alma.’  Isso já traduz tudo o que é a música pra mim... um alimento para o raciocínio e para meu espírito. Com ela, a música, ajudo na transformação! 


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