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Literatura

Novo livro de Ricardo Mituti inaugura selo Tesão Literário!

Por: SIDNEY NICÉAS
“Leio, Logo Existo”, de Ricardo Mituti, inaugura o Selo Tesão Literário e está em financiamento coletivo

Foto: Divulgação/Arte Tesão Literário

19/03/2023
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*por Sidney Nicéas

Uma coisa puxa a outra. Esse ditado batido parece que não sai de moda nunca. É nele que nos debruçamos para falar sobre o Selo Tesão Literário, da Mangue Editora, lançado a partir do novo livro do jornalista e escritor Ricardo Mituti, “Leio, Logo Existo”, que entrou nesta semana última em financiamento coletivo pela plataforma AbaCashi. Tanto o selo quanto o livro são iniciativas conectadas, afinal, o selo foi criado pela Mangue Editora a partir do Blog Tesão Literário, assim como o livro de Mituti, que inaugura a empreitada.

A Mangue Editora é um projeto editorial do escritor pernambucano Sidney Nicéas, editor do Blog Tesão Literário, colunista de literatura das rádios CBN Recife e Transamérica e co-realizador da Bienal Internacional do Livro de Pernambuco; e do premiado poeta colombiano Carlos Sierra, que já teve editora e livraria em Medellín (COL) e lá também atuou produzindo alguns dos maiores eventos literários do país. A Mangue já editou algumas obras, através da Sidney Nicéas Comunicação Integrada, e o trabalho começou a ganhar peso. O Selo Tesão Literário resultou inevitável. “Nicéas criou, na agência dele, um braço cultural, e a Mangue Editora, iniciativa minha e dele, acabou se encaixando perfeitamente. E a coisa foi pegando. Criamos o Selo Tesão Literário para materializar projetos dos colunistas do blog. Este ótimo livro de Mituti é só o primeiro; vem mais coisa boa por aí”, explica Sierra.

A fala de Sierra acaba espelhando não só a iniciativa editorial, mas, sem querer, a própria gestação de “Leio, Logo Existo”, de Ricardo Mituti. O jornalista e escritor é colunista do blog desde a sua criação, em 2020, e todos os textos bebem totalmente nos escritos publicados desde então - a obra traz alguns dos melhores textos no período, além de outros inéditos. A coisa também foi pegando. “Quando comecei a colaborar com o blog, não pensava em reunir minhas narrativas num livro. Mas a perenidade da colaboração e do projeto e o prazer da escrita livre foram, aos poucos, fazendo florescer essa possibilidade. Quando a iniciativa se tornou concreta, entendemos que não bastava publicar o que já havia sido veiculado no blog; era preciso produzir material inédito para que um novo produto fizesse sentido, sobretudo a quem já acompanha meu trabalho no Tesão Literário. Foi assim que demos à luz "Leio, Logo Existo", volume que reflete minha paixão pelos livros, pela leitura e pela literatura”, revela.

Mituti se refere basicamente ao Laboratório de Leitura, criação do professor Dr. Dante Gallian, experiência na qual ele foi aluno e acabou se tornando coordenador, hoje um dos braços direitos do mestre. “Descobri o Laboratório de Leitura por meio do livro do Dante, "A Literatura como Remédio - Os Clássicos e a Saúde da Alma". E quando descobri livro e autor, minha vida virou do avesso - para melhor, felizmente. Vi no LabLei a oportunidade com a qual tanto sonhei, de trabalhar com livros - ainda que não fosse escrevendo. Acho que o LabLei é, antes de tudo, um remédio para a alma de quem o prova. Ele primeiro amplia nossa capacidade de autoconhecimento e de conhecimento do outro. E só então é que, penso, os efeitos desse processo repercutem na ressignificação de opiniões, conceitos e valores”, define.

As narrativas de “Leio, Logo Existo” acabam revelando, num misto de bom humor e profundidade, muitos dos temas que sempre intrigaram a humanidade, rompendo as fronteiras convencionadas das classificações literárias; ora crônica, ora conto, sempre mexendo com algo existencialista, tendo a Literatura – grandes obras e autores –, como trampolim. "Leio, Logo Existo" é minha angústia criadora elevada à décima potência. Nele, o jornalista e o escritor se misturaram tanto que, parece, enterraram o romancista que um dia imaginei ser. Hoje me convenci que a crônica é mesmo meu território - e que talvez o romancista imaginativo vá ficar para uma outra vida (se houver, claro). Felizmente, o Tesão Literário me desamarra, e isso é tudo o que sempre quis ter como base para meu trabalho de escrita”.

Para Dante Gallian, a escrita de Mituti vai ainda além. “O que o(a) leitor(a) encontra vai muito além de um exemplo eloquente de experiência humanizadora a partir da literatura no contexto do Laboratório de Leitura. “Leio, Logo Existo” é mais do que um “efeito”; ele é arte, e arte da melhor qualidade, pois tem efeito estético e suscita a reflexão. Mituti não apenas demonstra vasto conhecimento do repertório literário clássico e contemporâneo, como também apresenta habilidades indispensáveis de talentoso polígrafo: domínio invejável do vernáculo, senso de humor, capacidade de expressar ideias e imagens complexas de forma elegante e leve. Ler Leio, logo existo não só é formativo, mas é delicioso, prazeroso”, afirma Dante Gallian no prefácio da obra.

Para constatar tudo o que foi aqui elencado, agora é botar a mão na massa e garantir seu exemplar: o financiamento coletivo de “Leio, Logo Existo” começou a todo vapor e oferece sete cotas de apoio, com brindes que vão de bloco com caneta à caixa de som multimídia com porta-canetas e luminária, tudo personalizado com a arte de capa do livro. Vale demais participar e dar vida a esta iniciativa!

Confira abaixo a entrevista completa que fizemos com Ricardo Mituti, que fala mais sobre a obra, a parceria com a Mangue Editora, a realidade do escritor no Brasil e outras coisas mais. Ao final, saiba como entrar em contato com o autor, com a Mangue Cultural e com o financiamento coletivo.

 

TESÃO LITERÁRIO- O humor refinado é uma característica marcante dos seus textos. Como tem sido produzir para o blog e lançar os melhores, junto com inéditos, nesse “Leio, Logo Existo”? 

RICARDO MITUTI- Quando comecei a colaborar com o blog, não pensava em reunir minhas narrativas num livro. Mas a perenidade da colaboração e do projeto e o prazer da escrita livre foram, aos poucos, fazendo florescer essa possibilidade. Quando essa possibilidade se tornou concreta, entendemos que não bastava publicar o que já havia sido veiculado no blog; era preciso produzir material inédito para que um novo produto fizesse sentido, sobretudo a quem já acompanha meu trabalho no Tesão Literário. Foi assim que demos à luz "Leio, Logo Existo", volume que reflete minha paixão pelos livros, pela leitura e pela literatura.

TL- Selo oriundo do blog, livro em financiamento coletivo, divulgação em massa pelas redes sociais… Está mais fácil publicar hoje em dia, isto é fato; mas e a vida do escritor enquanto profissional?

RM- Ser escritor no Brasil ainda é uma missão hercúlea. Tanto que eu não consigo viver somente da escrita de livros. (Sobre)vivo apenas dos livros desde o início deste ano, após 25 anos de carreira como jornalista, mas num contexto que engloba o trabalho que desenvolvo como coordenador de Laboratório de Leitura, a experiência de humanização pelos livros que embasa boa parte das narrativas de "Leio, Logo Existo". Como esta também não é uma carreira estável, pois a formação de grupos oscila em função de fatores diversos, eventualmente ainda sou obrigado a fazer trabalhos como assessor de comunicação - minha carreira no Jornalismo - para escapar da gerente do meu banco. Tenho a impressão que ela não é leitora...

TL- Você encontrou no Laboratório de Leitura - LabLei, ao que parece, um grande propósito de vida. Fala mais sobre essa extraordinária iniciativa, que tem como criador o professor Dante Gallian.

RM- Descobri o Laboratório de Leitura por meio do livro "A Literatura como Remédio - Os Clássicos e a Saúde da Alma", do Profº Dr. Dante Gallian - de quem me tornei aluno, colaborador e acima de tudo amigo. E quando descobri livro e autor, minha vida virou do avesso - para melhor, felizmente. Vi no LabLei a oportunidade com a qual tanto sonhei, de trabalhar com livros - ainda que não fosse escrevendo. Formei-me na metodologia em 2018; em 2022 defendi meu Mestrado com pesquisa sobre o Laboratório - claro, com a orientação do Profº Dante, na Escola Paulista de Medicina da UNIFESP - e transformei o LabLei, nesses últimos anos, na minha principal carreira profissional. Sou dependente do Laboratório de Leitura e vi nele, também, a oportunidade de deixar um legado, haja vista os efeitos benéficos e transformadores que ele pode proporcionar. Eu vivo e respiro LabLei todos os dias, e isso me faz muito bem e realizado. Agora, minha missão é expandir a prática e atrair novos dependentes - porque, sim, o LabLei vicia.

 TL- Para aprofundar a pergunta anterior: o LabLei é uma espécie de remédio para o mal da ignorância que parece (sempre) assolar o mundo?

RM- Também. Mas acho que o LabLei é, antes de tudo, um remédio para a alma de quem o prova. Ele primeiro amplia nossa capacidade de autoconhecimento e de conhecimento do outro. E só então é que, penso, os efeitos desse processo repercutem na ressignificação de opiniões, conceitos e valores. A experiência pode afetar nossa ética, se bem-sucedida. E, por se tratar de uma atividade em grupo, coletiva, pode reverberar. Assim, se eu amplio a esfera da presença do meu ser, como costumamos dizer, por meio da literatura e das reflexões em torno dos temas humanos por ela apresentados, eu posso, com minha opinião, contribuir para que o mesmo ocorra com os demais participantes. Isso cria um ciclo virtuoso que, aí sim, aos poucos, tem potencial para tratar do mal da ignorância e da superficialidade que assolam a sociedade pós-moderna. 

TL- “Leio, Logo Existo”, além de textos publicados em nosso blog, traz outros inéditos, tal qual você já mencionou, todos que acabam mergulhando fundo em temas existenciais caros à Literatura. O quanto da sua ‘angústia criadora’ está presente na obra?

RM- Eu diria que muito dela - para não dizer toda ela. As narrativas que compõem a obra tratam, via de regra, de temas que me interessam, mas que também me inquietam, que tiram meu sono, que me causam crises existenciais e até mesmo de ansiedade. Como a literatura também tem esse poder sobre mim, posso dizer que "Leio, Logo Existo" é, portanto, minha angústia criadora elevada à décima potência. É quase um exercício de autoterapia, mas que também tem a pretensão de fomentar a reflexão, num tom mais informal e humano e menos tecnicista, a quem o lê. 

TL- A crônica é um gênero amplo e você explora muito bem essa amplitude literária, mesmo nos contos que também integram a obra. O jornalista e o ficcionista se misturaram bem neste “Leio, Logo Existo”?

RM- Misturaram-se tanto que, parece, enterraram o romancista que um dia imaginei ser. Sempre fui um cronista, mesmo antes de ser jornalista, mas quis me convencer do contrário. O Jornalismo parece ter dado ainda mais fluidez a esse tipo de produção, com o passar dos anos, enquanto no meu íntimo eu ainda desejava ser aquele escritor imaginativo, que cria personagens arrebatadores e cenas incríveis. Hoje, no entanto, convenci-me que a crônica é mesmo meu território - e que talvez o romancista imaginativo vá ficar para uma outra vida (se houver, claro). Tanto que tento transportar a crônica para os contos que também compõem "Leio, Logo Existo". Se vira uma barafunda eu sinceramente não sei; o julgamento sempre cabe ao leitor. Mas também não estou mais preocupado em produzir sob rótulos. Felizmente, o Tesão Literário me desamarra, e isso é tudo o que sempre quis ter como base para meu trabalho de escrita. 

TL- Você passou quase sete anos sem publicar, mas nesse período ampliou o escopo de atuação, especialmente em eventos literários. Para você, o que é preciso para tentar viver da escrita no Brasil?

RM- Coragem, primeiramente. Sobretudo se a gerente da tua conta bancária não é uma leitora. Mas persistência, resiliência e disposição também são fundamentais. Foi com base nesses elementos que ampliei o sonho de ser escritor para viver daquilo que eu denomino "Projeto de Escrita", o qual engloba a escrita de livros, claro, mas também a coordenação de Laboratórios de Leitura, a colaboração regular a veículos literários - como é o caso do Tesão -, a mediação de eventos literários e a produção de conteúdo temático, entre outros produtos e serviços.

TL- As discussões sobre Cultura no país descambaram para narrativas ideológicas, enquanto artistas continuam tendo que se virar para viver (ou não) da sua arte. Há uma luz no fim do túnel?

RM- Se eu posar de otimista incondicional, quem me conhece vai dizer que sou um hipócrita, que virei coach ou que fui contaminado pela positividade tóxica. Mas também não sou mais aquele pessimista chato que só vê o copo meio vazio. Como teria dito o grande Ariano Suassuna, hoje me esforço para ser o tal realista esperançoso. Produzir arte no País ainda é desafiador, porque a área não é vista como essencial pela própria sociedade. Entretanto, penso que os novos tempos de Brasil contribuem para essa crença. Saímos do buraco negro no qual a Cultura foi vomitada para um período de reestruturação e possibilidades. Quero agarrar-me a essas possibilidades para acreditar que sim, há luz no fim do túnel - e esta luz não é a do trem que vinha em nossa direção.

TL- O que o leitor Ricardo Mituti tem encontrado de refresco na literatura contemporânea?

RM- Em virtude do Laboratório de Leitura, no qual trabalhamos mais com clássicos da literatura universal, admito ler menos literatura contemporânea do que eu gostaria. Mas sempre que tenho condições, estou acompanhado do Mestre Luis Fernando Verissimo - literalmente o meu refresco - ou de João Anzanello Carrascoza, contista imenso e amigo querido. Dois títulos contemporâneos que li recentemente e dos quais gostei bastante foram o divertido "A Vida Futura", de Sérgio Rodrigues, e "A Pediatra", de Andréa Del Fuego. Contudo, a verdade é que tenho raízes nos clássicos. E especialmente nos russos, pelos quais sou apaixonado.

TL- Ler, para você, é…

RM- Existir - porque se eu respondesse qualquer outra coisa que não fosse isso estaria prestando um desserviço ao meu novo livro e criando um baita case de antimarketing!

 

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Leio, Logo Existo, de Ricardo Mituti, Selo Tesão Literário - Mangue Editora

Campanha de financiamento Coletivo: https://abacashi.com/p/livro-leio-logo-existo-de-ricardo-mituti 

Contatos com o autor

https://www.instagram.com/ricardomituti_escritor/ 

Contatos com a Mangue Editora

[email protected]

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