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Opinião

O palhaço triste da Frei Caneca

Por: SIDNEY NICÉAS
Roberto Azoubel traz uma microcrônica sobre seu cotidiano e os sentimentos vários que surgem em si durante ele.

Foto: Reprodução/google street view

09/01/2024
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O palhaço triste da Frei Caneca 

(microcrônica pelo spleen de cor local)
 

*Por Roberto Azoubel

 

Creoulas, Rui Barbosa, Fernandes Vieira, Oliveira Lima, Hospício, Imperatriz,  Ponte de Ferro, Nova, Palma, Frei Caneca, João Souto Maior, Pátio do Carmo, São Pedro. Eis o meu percurso cotidiano pelo belo e decadente Recife. Rota que, com certa frequência, me conduz a uma melancolia não necessariamente de toda ruim, configurando-se numa mistura simultânea de tristeza e encantamento - algo que identifico como próximo ao spleen baudelaireano, mas que, exposto à luminosidade local, talvez ainda não tenha nome. Há um tanto de desalento, é certo; mas há também de fascínio, a cidade com suas muitas histórias, cores e cheiros intensos (o sobrado onde nasceu Nabuco na Imperatriz, esta própria rua, o Capibaribe...). Sinto que, repito, em diferentes medidas esses sentimentos se mesclam, dançam variações na medida de cada. Há dias, no entanto, em que um deles se sobrepõe. Um exemplo: aqueles nos quais me deparo com o palhaço triste do restaurante da Frei Caneca, oferecendo um barato self-service com duas opções de carnes, me doem até o osso.

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Roberto Azoubel é gestor cultural.

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