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Percentual de endividados cresce em outubro em Pernambuco

Por: REDAÇÃO PORTAL
Variação era esperada, em virtude das datas comemorativas,  redução do auxílio emergencial e maior oferta de vagas de trabalho

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

10/11/2020
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O Percentual de endividados, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) pernambucano, mostra movimento na direção contrária do nacional e volta a subir em outubro. A porcentagem de famílias endividadas atingiu os 76,1%, ante 75,7% do mês de setembro. A variação já era esperada, visto que o último trimestre do ano favorece um maior nível de endividamento, pois concentra injeção de recursos e datas comemorativas fortes, além de outros incentivos. Mas vale destacar que, em um ano atípico como o de 2020, os motivos que levaram a alta divergem em parte do que se verificava nos anos anteriores, sendo os motores do endividamento atual a restrição da renda somada a falta de educação financeira da maioria das famílias.

O Dia das Crianças, data comemorativa importante do calendário do varejo nacional e estadual, contribuiu para a elevação do consumo e consequentemente do endividamento. A data carrega um forte apelo emocional, em especial durante um período de isolamento e restrições, fomentando o consumo de itens mais individuais, como brinquedos e aparelhos eletrônicos, no lugar de comemorações mais sociais, como ida aos parques, praias, cinemas, etc.

Outro ponto importante a ser destacado é a redução no valor do auxílio emergencial em 50%, aumentando a restrição orçamentária das famílias e incentivando o consumo via crédito. O programa injetou mais de R$ 10,7 bilhões na economia pernambucana entre abril e outubro de 2020, o que possibilitou a manutenção do consumo das famílias, além de reduzir o peso da inadimplência, com parte do valor sendo direcionado ao pagamento de dívidas, assim as famílias voltam a ter acesso a crédito e podem mais uma vez voltar a financiar o consumo o que também puxa o endividamento para cima.

Mercado de trabalho

O mercado de trabalho também apresentou melhora nos últimos meses, saindo de um saldo negativo de aproximadamente 60 mil em maio, para 29 mil em setembro. Esse movimento faz com que a renda perdida através dos cortes de empregos com carteira assinada seja amenizada, devolvendo a confiança para essas pessoas que voltam a trabalhar.

Outro ponto ligado aos empregos é a oferta maior de vagas no segundo semestre, com safra da indústria de açúcar, da criação de vagas temporárias no comércio, além de postos de trabalho gerados também nos serviços e na indústria. Essa maior oferta de emprego cria um ambiente mais positivo para que as famílias voltem a consumir, também contribuindo para o aumento no número de endividados.

Em números, o percentual de 76,1% equivale a 392.034 famílias endividadas, alta de 2.172 lares em um mês. Já em relação ao mesmo período de 2019, houve uma alta de 26.903 famílias. As famílias que possuem contas em atraso atingiram os 29,8%, queda em relação a setembro e a outubro do ano anterior, que registraram percentual de 30,4% e 31,8%, respectivamente.

É importante lembrar que estas famílias já apresentavam maior dificuldade no pagamento de suas dívidas, com orçamento mais apertado. Porém, os programas que disponibilizaram recursos como o auxílio e o FGTS emergencial para as famílias e a facilidade que os credores deram durante o período de pandemia para renegociação de dívidas, vêm atuando de forma positiva nestes números de famílias com contas atrasadas.

Atualmente no estado 153.442 famílias estão com alguma conta em atraso.

Já a parcela da população com a situação mais crítica, que são aquelas que informam não ter mais condições de pagar as suas dívidas, mostrou percentual de 13,4%, o que corresponde a 69.156 mil famílias inadimplentes.

E como os dois grupos anteriores, este grupo apresentou alta no número de famílias nesta situação em relação ao mês anterior, com alta mensal de 2.124 lares. Já na comparação anual, o percentual de famílias inadimplentes caiu e teve decréscimo de 4.625 lares. Essa queda anual reflete mais uma vez o maior número de acordos e uma facilidade maior criada pelas credoras devido ao período econômico difícil.

Quando se analisa o resultado por tipo de dívida, verifica-se que o tipo mais apontado continua sendo o cartão de crédito, atingindo 90,7%, apresentando manutenção em relação ao mês anterior. Seguido pelo endividamento com carnês, que representa 22.2%, ante 18,5% do mês anterior.  A maioria das famílias endividadas informam também que as dívidas comprometem entre 11% e 50% da renda. 

Para o mês de novembro se espera uma continuidade da elevação do endividamento, isto porque o mês já vem após a elevação das dívidas de outubro, e tem vários incentivos para o consumo, como a comemoração da Black Friday, além do recebimento da primeira parcela do 13º salário para parte dos empregados com carteira assinada e aposentados.

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