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Cultura

Pinto e Louro, dois gênios em livro

Por: SIDNEY NICÉAS
Obra de Marcos Costa e Raimundo Patriota resgata a genialidade dos dois maiores poetas cantadores do Brasil.

Foto: Paulo Carvalho/Arte Tesão Literário

09/03/2022
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*por Sidney Nicéas

 

Os poetas cantadores Pinto do Monteiro e Lourival Batista - o Louro do Pajeú - são ícones geniais da cultura brasileira, cuja história e legado carecem de maior valorização nacional. Para suprimir essa lacuna, o professor Marcos Costa sucumbiu à provocação do jurista Raimundo Patriota, que é filho de Louro, para que fizessem uma pesquisa acurada e publicassem em livro pelo menos um pouco da genialidade desses monstros sagrados da nossa cultura, retratadas em algumas das suas mais memoráveis pelejas. Foi assim que nasceu “O Aventureiro e o Boêmio - Pinto e Louro, a maior dupla de poetas repentistas” (CEPE, 2021).

O livro é uma compilação prodigiosa de parte das pelejas entre os dois cantadores, que foram parceiros por várias décadas e juntavam multidões para ouvir seus embates ágeis e certeiros. “A ideia do livro foi lançada por Raimundo Patriota, filho de Louro do Pajeú: de resgatarmos, através de uma pesquisa nos livros e de entrevistas junto àqueles que sabem algum verso decorado de Louro e Pinto, e colocarmos num livro tudo aquilo que ainda há no imaginário coletivo, para que não se percam com o passar dos tempos. O fato de serem Louro e Pinto os poetas escolhidos se dá porque, embora estes dois poetas tenham cantado com diversos autores, foi com Pinto que Louro mais cantou, e vice-versa”, explica Marcos.

Paraibano de Monteiro, Pinto aprendeu a ler e escrever somente quando adulto e demonstrava uma capacidade ímpar de improvisação. Já Louro era pernambucano, nasceu na vila de Umburanas, na época município de são José do Egito, hoje município de Itapetim. Tinha ares mais intelectualizados - apesar de ter estudado somente até o ginásio -, era um conhecedor da cultura nordestina e rápido nas tiradas. “Os poetas em pauta, Louro e Pinto, são legítimos representantes da chamada "Era de ouro" da poesia popular nordestina, notadamente no gênero poético denominado "Peleja" ou "Desafio", que era muito cantado no passado, onde um poeta desafiava o outro com provocações, na maioria das vezes de forma lúdica, forçando o outro a responder, de improviso, com criatividade. E é aí que estes dois poetas mostraram suas genialidades, tendo sido considerados a maior dupla de repentistas de seu tempo, dois gênios do repente”, realça o professor.

Há outras publicações sobre os cantadores, a maioria independentes, mas são escassas ante a genialidade (permitam a repetição do termo!) de ambos. E isso provoca um déficit imenso no conhecimento não somente destes, mas de outros artistas do improviso. “Acho que a obra dá uma contribuição para cultura nordestina (e brasileira), no sentido de resgatar e preservar esse importante gênero literário (peleja ou desafio), pouco cantado na atualidade, por ser considerado um estilo primitivo, muito popular, onde os cantadores se restringiam ao cotidiano, mas que nem por isso deixava a desejar quanto à criatividade poética. Essa é a poesia de raiz, que deu grande contribuição para formação da cultura poética nordestina”, finaliza Marcos Costa.

A sabedoria destes mestres cantadores, que se enfrentaram em desafios de canto e viola por mais de 50 anos, merece ser saboreada. Compre o seu diretamente no site da CEPE Editora: https://www.cepe.com.br/lojacepe/o-aventureiro-e-o-boemio?search=marcos

 

NORDESTE

O Tesão Literário, no ano passado, fez uma matéria sobre o projeto Causos e Versos, que se dedica a compilar em audiovisual a produção de toda uma época. A matéria conta com links de documentários sobre Pinto do Monteiro, Louro do Pajeú e outros gênios da nossa cultura popular. Não deixe de conferir: https://www.veragora.com.br/tesaoliterario/artigo/nordeste-voce-precisa-conhecer-o-projeto-cantos-e-versos 

 

OS AUTORES

Marcos Roberto Nunes Costa, nascido na cidade de Itapetim – PE, tem Graduação em Filosofia, pela UNICAP, Mestrado em Filosofia, pela UFPE e Doutorado em Filosofa, pela PUCRS, e Pós-doutorado em Filosofia, pela Universidade do Porto-Portugal. Atua na área de pesquisa em Filosofia Medieval, mais especificamente no pensamento de Santo Agostinho. Além da presente obra, é autor de vários outros livros, dos quais destacam-se: “Santo Agostinho: um gênio intelectual a serviço da fé” (1999); “O Problema do Mal na Polêmica Antimaniqueia de Santo Agostinho” (2002); “Maniqueísmo: história, filosofia e religião” (2003); “Origens Medievais do Estado Moderno: contribuições da filosofia política medieval para construção do conceito de soberania popular na modernidade”, em conjunto com Raimundo Antônio Marinho Patriota (2004); “Itapetim: ventre imortal da poesia: antologia de poetas, repentistas, compositores e músicos itapetinenses” (com duas edições 2008 e 2014); “A Ética Medieval face aos Desafios da Contemporaneidade” (2004)  “Introdução ao Pensamento Ético-Político de Santo Agostinho” (2009); “10 Lições sobre santo Agostinho” (com 4 edições de 2012 a 2021); “Dicionário de matutês” (2011); “O rei me disse fica, eu disse não: 100 repentes de Lourival Batista”(20150 e “Mulheres Intelectuais na Idade Média: entre a medicina, a história, a poesia, a dramaturgia, a filosofia, a teologia e a mística” (2019). É autor, também, de algumas dezenas de artigos de Revistas e capítulos de Livros Coletâneas, sobre o pensamento Antigo-Tardio e Medieval. Atualmente é professor do Curso de Filosofia da UFPE, bem como professor do Programa de Pós-graduação em Filosofia (mestrado e doutorado) da UFPE.

 

Raimundo Antônio Marinho Patriota, nascido na cidade de São José do Egito-PE, possui Bacharelado em Ciências Jurídicas e Sociais, pela Universidade Federal de Pernambuco – UFPE, Bacharelado em Filosofia, pela Universidade Católica de Pernambuco – UNICAP, e Pós-graduação em (Especialização) em Direito Processual Civil e Trabalhista, pela Universidade Potiguar – RN. Lecionou, Introdução à Filosofia e Teoria do Conhecimento, na Faculdade de Formação de Professores de Arcoverde – PE, e Direito Internacional Privado, na Faculdade de Direito de Caruaru – PE. É Promotor de Justiça, aposentado, e advogado militante. Além da presente obra, é autor dos livros: “Garantias Constitucionais do Processo” (2002; “Origens medievais do Estado moderno: contribuições da filosofia política medieval para construção do conceito de Soberania popular” (2004) e “O rei me disse fica, eu disse não: 100 repentes de Lourival Batista” (2015), além de artigos de cunho filosófico, jurídico e sobre cultura popular. É membro do Instituto do Ministério Público de Pernambuco - IMPPE e da Associação do Ministério Público de Pernambuco - AMPPE, através dos quais teve contos, artigos e poemas publicados.

 

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