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Gastronomia

Que Bagaceira que nada, ó pá. Bebida do Brasil é cachaça!

Por: REDAÇÃO PORTAL
Hoje se comemora o “Dia Nacional da Cachaça” como uma forma de relembrar os tempos quando o destilado era símbolo de resistência contra a dominação portuguesa.

Foto: Reprodução internet

13/09/2020
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Na época do Brasil colonial a produção de cachaça era uma importante atividade econômica no país. Preocupados com o sucesso da aguardente, que vinha promovendo a redução do consumo da bagaceira importada de Portugal, os portugueses, através de uma Carta Real de 13 de setembro de 1649, proibiram a fabricação e a venda da cachaça em todo o território brasileiro.

Os proprietários de cana-de-açúcar e alambiques, indignados com as constantes cobranças de impostos ao longo dos anos e perseguidos por vender a bebida, se revoltam no dia 13 de setembro de 1661 e tomam o poder no Rio de Janeiro por cinco meses resultando em um dos primeiros movimentos de insurreição nacional, a Revolta da Cachaça.

Com o poder restituído, o movimento é repreendido com violência e o seu líder, Jerônimo Barbalho Bezerra, é enforcado e decapitado, tendo sua cabeça pendurada no pelourinho da cidade, como exemplo à população fluminense.

Todo o dia 13 de setembro se comemora o “Dia Nacional da Cachaça” como uma forma de relembrarmos os tempos de um Brasil colonial, quando o destilado era símbolo de resistência contra a dominação portuguesa.

A data foi aprovada em outubro de 2010 pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados como resultado do projeto de lei do deputado Valdir Colatto (PMDB-SC).

Toda Cachaça é uma aguardente, mas nem toda aguardente é uma Cachaça.

A Cachaça é um destilado 100% brasileiro que provêm exclusivamente da cana-de-açúcar, ela tem a característica de possuir alto teor alcoólico, variando entre 38% a 48% e uma complexidade sensorial incrível. A bebida deve ser obtida através da destilação do mosto fermentado da cana. Sem adição de açúcares e extrato de sabores.

O que é o mosto fermentado?

É um tipo de mistura açucarada destinada à fermentação alcoólica, contudo, no preparo da Cachaça é utilizado o caldo de cana, também conhecido como garapa.

Todos esses parâmetros aplicados pelos produtores fazem parte do Decreto de Lei nº 6.871/2009 regulamentado pela lei nº 8.918/1994. Lei que usurpa sobre a padronização, registro, inspeção, classificação, produção e fiscalização da bebida.

Aguardente é o nome dado a qualquer bebida obtida a partir da fermentação e destilação de vegetais doces. O uísque é uma aguardente de cereais. A Tequila, é uma aguardente de agave. Conhaque, Bagaceira e Grapa semelhantemente são aguardentes de Uva.

Já a cachaça é o destilado derivado exclusivamente da Cana. Qualquer outro destilado não provido da Cana não deve levar este nome. Um destilado de banana é uma aguardente de banana. Se adicionarmos ervas, especiarias e/ou outros ingredientes na Cachaça, decerto não poderemos denominá-la como cachaça, mas sim como uma aguardente composta ou bebida mista.

Em Pernambuco temos até um Museu da Cachaça. Fica no município de Lagoa do Carro, Zona da Mata Norte. O Museu já esteve registrado no Livro dos Recordes em 1999, como a maior coleção de cachaças do mundo, perdendo o posto depois para colecionadores de Minas Gerais.
Recentemente, em fevereiro deste ano, seu fundador, José Moisés de Moura, faleceu aos 67 anos. O destino do Museu, que está fechado por conta da pandemia, é incerto.

Mas vamos falar de consumo, pois cachaça boa é o que não falta em Pernambuco.

Sem dúvidas a campeã na preferência popular é a tradicional Pitú.

O Engarrafamento Pitú tem mais de 80 anos de história. A empresa está em sua terceira geração de gestores e mantém os pilares da família nas relações diárias.

É a indústria brasileira líder na exportação de cachaça, dominando o mercado europeu, sendo a Alemanha o país de maior consumo. Por ano, a Pitú comercializa no exterior 1,7 milhão de litros. Além do velho continente, a Pitú também está presente em outros países (Estados Unidos, Canadá, México, Chile, China, Japão, Índia, Israel, Emirados Árabes, Tailândia, Austrália, África do Sul, Angola, Guiana Francesa, Peru, Argentina) e em mais de 40 lojas de duty-free espalhadas por todo o mundo.

Consagrada como a maior exportadora brasileira de cachaça, a marca pernambucana está entre as 20 marcas de bebidas destiladas mais produzidas no mundo, comercializando, em média, 98 milhões de litros de cachaça por ano. No Brasil, é a Cachaça mais consumida nas regiões Norte e Nordeste e a segunda mais comercializada do País.

Além da tradicional Pitú em garrafa e em lata, a envelhecida Pitú Gold também é muito apreciada. Mas sem dúvida a “joia” da Pitú é a Vitoriosa. Envelhecida em carvalho francês, a bebida é transferida para barris de carvalho americano para o aprimoramento da qualidade sensorial, refinamento e harmonização de aroma e cor. Degustar a Vitoriosa é uma experiência que todos devemos passar pelo menos uma vez na vida.

Partindo para a linha de cachaças Premium, a Carvalheira se destaca pela qualidade e sofisticação. A variedade de sabores vai da Reserva Especial Porto Recife, Reserva Especial Canela, Reserva Especial Raízes, Tradicional, Carva Mel e Limão, Alambique, Brasil e a Fika Jurubeba até chegar a principal, que é a envelhecida, extra-premium.

Na Cachaçaria Carvalheira são produzidos em torno de 100 mil litros, entre todos os produtos e o tem no turista um forte consumidor. A visitação à Cachaçaria era intensa e, deve voltar com a reabertura gradual por conta da pandemia. As vendas são  satisfatórias em Porto de Galinhas, na Praia dos Carneiros, no aeroporto e em diversos pontos e supermercados onde o produto é oferecido.

Se você é desses apreciadores de produtos orgânicos, não pode deixar de experimentar a Sanhaçu. 

Produzida na propriedade da família Barreto Silva, no município de Chã Grande - Pernambuco, distante cerca de 15 km da cidade turística de Gravatá e 85 km da capital do Estado, Recife, a Cachaça Sanhaçu foi certificada como orgânica desde seu ingresso no mercado em 2008.

Buscando harmonia com a natureza e o mínimo de impacto ambiental o Engenho Sanhaçu preocupa-se especialmente com os resíduos reaproveitando quase tudo no processo de produção da cachaça. Além disso, toda energia utilizada na propriedade é proveniente de fontes renováveis, como: solar e eólica. No Engenho reaproveita-se também boa parte da água da chuva.

Com este compromisso com o meio ambiente, a Sanhaçu recebeu em 2013 o Certificado de Carbono Zero. Em 2016 a Sanhaçu Umburana foi classificada entre as cinco melhores cachaças do Brasil. 

Seguindo o roteiro de boas cachaças, a gente pode passar pela região litorânea de Goiana e provar toda a pureza da Faceira. Produzia da de forma artesanal, a Faceira remete ao sabor dos engenhos pernambucanos.

Voltando para a BR 232, vale a pena experimentar a Mucuri. Cachaça popular produzida em Bezerros, é bastante consumida na região. 

Mas já que chegamos em Bezerros, que tal “quebrar para a direita” e subir até Sairé?

Além de ser conhecida como a terra da laranja e do buscapé Sairé passou por três ciclos econômicos importantes ao longo da história, o da cana-de–açúcar, o do café e atualmente o da Laranja.

Durante o ciclo da cana-de-açúcar, Sairé tinha 26 engenhos. Estes produziam melaço de cana, rapadura, cachaça entre outros. Um dos engenhos da época era o Engenho Primavera, de propriedade de José Manoel de Albuquerque, conhecido como Sr. Badé. O empreendimento nasce em 1928, um ano após seu casamento com Maria das Dores.

Resgatando a história e o sabor dessa época, José Valdinez Chagas de Vasconcelos (Valdinez Junior), bisneto de José Manoel de Albuquerque, reinaugura o Engenho Primavera e cria em 2015 a cachaça Sinhô Badé, que surgiu de uma maneira inusitada, quando ele, que é músico, conversava com o seu irmão sobre uma oficina de música. Ouviu dele que daria muito certo também era investir em comida ou bebida, daí surgiu à ideia da cachaça.

Com 40° de graduação alcoólica, a cachaça dispõe dos sabores: Cristal, Umburana, Café, Cravo com Canela, Anis e Gengibre com hortelã.

Subindo para o Sertão pernambucano, chegamos a deliciosamente fria cidade de Triunfo. 

Lá é fabricada a 1° Cachaça do Brasil a receber a Certificação de Conformidade do INMETRO.

A Cachaça Triumpho é produzida numa região de brejo de altitude (1.100 metros) em pleno semiárido Nordestino, com temperaturas variando o ano inteiro entre 12° e 28°, o que lhe confere singulares características de aroma e sabor.

O Engenho São Pedro, localizado na turística cidade serrana de Triunfo, é tradicional produtor de cachaça de alambique, rapadura e licor.

A Triumpho trabalha dentro dos princípios da agricultura ecologicamente correta, com compromisso social e ambiental, tendo todas as etapas de produção: corte, moagem, fermentação e destilação em alambique misto de inox e cobre.

São fabricados a Cachaça Tradicional, Cachaça Envelhecida em barris de carvalho, Licor de cana de açúcar, rapaduras de diversos sabores, mel de engenho, além de outros derivados e o apreciado sorvete de rapadura.

Teríamos ainda uma infinidade de rótulos e sabores par apresentar aqui. Mas hoje é domingo e é o Dia Nacional da Cachaça. Então, aproveite e comemore.

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