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Opinião

Sobre a mãe que eu não queria ser

Por: BRUNELLA SOBRAL
É possível não repetir antigos padrões da educação que recebemos. E criar um jeito de maternar com amor e diálogo.

Foto: Marília Monteiro

16/10/2020
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Para muito além do que eu pensava que queria ser, desde sempre eu tinha bem claro na minha cabeça a mãe que eu não queria ser.


Não queria repetir antigos padrões de educação. Gritar, bater, não dialogar ou não ouvir.


Não quero e nem posso dizer que a educação que toda a minha geração recebeu foi completamente errada. Não dá. Era o que eles tinham nas mãos naquele momento. Era reflexo da própria educação que eles receberam.


Mas a gente? Não. A gente podia fazer diferente.


Fizemos terapia (ok, a maioria de nós fez análise já adolescente/adulta porque para os nossos pais “crianças não precisam de psicóloga, é só frescura”). Temos acesso a livros, revistas, palestras no YouTube.


Dá pra ser diferente.


Mas um dia, me vi dando um tapinha na mão do meu filho de 1 ano, que não parava de mexer em alguma coisa que na hora me pareceu muito importante e “não de criança”. Nem lembro em que ele mexia. Mas lembro como me senti mal. O quanto chorei. O quanto pedi desculpas. O quanto beijei a mãozinha dele tão indefesa.


Em alguns outros dias eu perco a calma. E grito. E, nossa, como eu me sinto a pior de todas as mães do planeta por estar fazendo exatamente o que não queria.


Essa semana Rodrigo me pediu para fazer uma coisa e eu disse que não. Ele insistiu. Neguei novamente. Assim, calmamente e sem nenhum estresse.
Depois de uns segundos ele pediu para sentar no meu colo enquanto eu trabalhava, olhou pra mim e falou: “Mamãe, eu me sinto muito triste quando eu peço uma coisa para você e você diz não”.


Meu filho de 4 anos se sente totalmente livre para sentar no meu colo e colocar para fora o sentimento dele. Sabe o que eu senti: ZEREI A VIDA MATERNA (dentro da minha expectativa, óbvio)!


Parei uns 5 minutos de trabalhar e tivemos uma conversa sobre o quanto eu também não gosto de dizer não para ele, mas que em alguns momentos da nossa vida eu vou precisar. Falei que entendia perfeitamente ele ficar triste com isso. Expliquei porque ele não podia fazer aquilo naquele momento, dei opções de atividades, pedi desculpas.
Ele entendeu, me desculpou, desceu do meu colo e foi no quarto buscar uns legos para brincar.


Diálogo. Aceitação. Sentimentos.


Somos frutos de uma geração que não teve isso e não tinha as ferramentas necessárias para repassar para nós.


Mas nós temos.


Isso quer dizer que nunca mais vou gritar quando estiver altamente sobrecarregada e me deparar com algum problema (percebem que tudo aqui gira em torno de mim, né? O quanto eu não consigo, às vezes, dar conta de tudo e acabou descontando nele de alguma forma)?


Não. Isso quer dizer que eu sou apenas uma mãe-humana. Que erra. Mas que reconhece seu erro e tenta acertar.


Sem falsa modéstia, eu acredito no meu potencial e acho que estou no caminho certo.

 

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