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Opinião

Tammy no Tesão: “Ser escritora é maravilhoso, ser mãe é mágico!”

Por: SIDNEY NICÉAS
Na vida não há coincidências: conversamos com a escritora Tammy Luciano e descobrimos que ela vai ser mãe

Foto: Reprodução/Mundo dos Livros

14/05/2023
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*por Sidney Nicéas

Há vinte e seis anos a escritora carioca Tammy Luciano teve uma ideia para escrever um livro - que somente agora foi de fato finalizado, após três anos de escrita (seu livro mais recente, que ainda vai ser publicado). Nesse período muita coisa mudou em sua vida: viu sua carreira de atriz levá-la até à Rede Globo, consolidou uma trajetória de sucesso como escritora, realizou projetos que a coloca como uma das grandes incentivadoras da literatura no Brasil, e... engravidou. Não pense você que isso é pouco. “Eu lutei muito para chegar até aqui e poder entregar um planetinha na mão desse bebê. Tenho hoje dois corações batendo dentro de mim, é o meu melhor momento, tudo melhorou. Não estou romantizando a maternidade, mas, no meu caso, eu sonhava e desejava demais esse momento. Penso que minha escrita também está mudando ao longo de todo esse processo”, revela, ciente de que hoje é o Dia das Mães, ocasião em que decidiu divulgar a gravidez (e que honra pra gente soltar isso aqui!).

Essa faceta materna, na verdade, não é novidade. Tammy é daquelas pessoas que não passam despercebidas diante de uma generosidade e bom humor imensos, que acolhem os outros com sinceridade, que não se deixa empetecar com o sucesso e que, enquanto escritora, não só “pariu” dez livros (o 11º está vindo por aí), mas se volta com afinco para dar visibilidade a escritores, especialmente os iniciantes. Foi essa característica marcante que acabou resultando no projeto Casa de Escritora, um perfil no Instagram que tem a cara dela.

“Eu sempre vi que os escritores seguem suas carreiras de maneira mais isolada e isso me incomodava um pouco. Eu vim do teatro e o coletivo foi um dos aprendizados que ganhei para a vida. Além disso, sempre acompanho a luta dos autores iniciantes com muito carinho. Lembro que quando comecei, o preconceito com o escritor brasileiro era muito maior e eu sempre tive na minha cabeça que quando tivesse alguma chance de ajudar, eu faria a minha parte. Eu sofri humilhações e desprezo quando comecei. Hoje sou forte e passo por cima de qualquer ação contra. Mas nem todo mundo consegue e esse é um projeto que faço nas pausas da minha carreira, produzindo um conteúdo para o Instagram da @casadeescritora e tentando dar visibilidade aos autores, mostrando o quanto são interessantes, têm muito a dizer e emocionar. Junto com isso, divulgo eventos, pensamentos e informo sobre lançamentos. Convido todos a conhecerem, porque o projeto precisa muito de apoio e divulgação”, conta.

Com uma história iniciada no Teatro, a atriz-em-breve-mamãe está sempre andando junto com a escritora. E se a trajetória como escritora começou ao publicar a biografia da modelo Fernanda Voguel, que morreu tão precocemente, acabou se destacando também pelas atuações no Linha Direta da Rede Globo e por uma entrevista divertidíssima no Programa do Jô, que acabou a levando para outro patamar. “O Jô mudou a minha vida. Eu lembro que no dia seguinte da entrevista em São Paulo, eu fui participar da Bienal do Livro de Pernambuco e fiquei impressionada com o carinho das pessoas. Elas queriam saber tudo de mim, tinham adorado a entrevista e eu acho que até pessoas próximas passaram a respeitar mais a minha carreira depois da minha participação no programa, o que é bastante curioso. Trabalho desde os 14 anos sem pausa; tenho aquela sensação boa de que está valendo a pena lutar”.

Muito ativa nas redes sociais, Tammy Luciano encara o ofício na arte como algo que vai além da própria pessoa, é uma espécie de oportunidade para não somente fomentar a literatura, mas a escrita. “Normalmente o escritor que já conseguiu algum sucesso, passa a divulgar apenas os escritores que estão no mesmo patamar que ele. Os autores de muito sucesso acabam, até pela falta de tempo, muito focados em seus próprios trabalhos. Isso é algo que sempre me incomodou. Ajudar escritores não prejudica minha carreira em nada. Talvez eu seja uma escritora acessível demais, talvez isso até me prejudique, mas a certeza de que eu preciso ter o pé no chão e seguir acreditando que a única “pessoa” importante nisso tudo é a literatura é o que me faz continuar”, afirma.

Toda essa simpatia e foco no que faz pode ser conferido a seguir, na íntegra, com o papo massa que batemos com Tammy Luciano, que fala também sobre o tribunal das redes sociais, as transformações no modelo de negócios do livro, sobre a realidade da literatura no país, e, claro, sobre a magia de uma gravidez tão desejada. Neste Dia das Mães, data tão simbólica, a entrevista com Tammy ganha ainda mais relevância: “Quero deixar um agradecimento para vocês pelo carinho. Hoje é dia das mães e aproveito para parabenizar minhas mamães leitoras e seguidoras. Estou ressignificando essa data da maneira mais especial de todas”!

 

TESÃO LITERÁRIO- Vamos começar essa entrevista com uma notícia em primeira mão: você vai ser mãe! Para quem deu vida a tantos personagens, como está sua cabeça (e coração) com a maternidade?

TAMMY LUCIANO- Muito feliz! E dizer que estou muito feliz não consegue explicar tudo que estou sentindo. Algo que me deixava desconcertada era quando alguém me perguntava se eu queria ser mãe. Uma pergunta sofrida que acabei sendo protegida e cada dia menos alguém me perguntava. Eu já queria essa gravidez há um tempo, mas aconteceu agora e eu estou muito grata, emocionada, animada, mesmo com os enjoos e o sono. Eu amo trabalhar e dormir de tarde para mim está sendo bem esquisito. É um bebê muito planejado e sonhado e eu meu marido já agradecemos muito essa vitória! Eu ainda não sei se é menino ou menina, mas já sinto um amor enorme. O coraçãozinho batendo foi a maior emoção da minha vida! Escrever, segurar um livro nas mãos, encontrar os leitores é maravilhoso, mas a maternidade, sentir meu bebê aqui comigo está sendo mágico.

TL- Nessa vibe da maternidade, vem aí também um novo livro… O que você pode adiantar sobre a obra?

TLU- Eu comecei a escrever o livro novo há três anos, mas só consegui acabar quando o neném estava na minha barriga. Foi um livro difícil, um processo muito longo, a ideia do livro surgiu em 1997, quando na verdade eu não pensava em ser escritora, queria atuar e escrever os meus textos de teatro! É um livro profundo que fala sobre o grande amor, injustiças, segredos de família, traição e recomeços. Tem uma história triste e curiosamente envolvendo uma gravidez. Mas eu não mudei o livro por causa disso. Eu sempre separei muito minha vida das personagens, mesmo que seja um mergulho em mim ali no papel. Eu me coloco nas entrelinhas dos livros, principalmente em sentimentos que vivi. Mas nesse livro eu não mudei a história por causa da gravidez. Foi uma sincronicidade e eu chorei muito quando escrevi o final de uma das personagens. Acredito que meus leitores se emocionem muito com o livro novo!

TL- Você mantém o perfil Casa de Escritora, um espaço tão democrático quanto a sua vida de escritora, sempre dando força a outros autores. Por que isso não é comum no meio literário?

TLU- Isso não é uma crítica, mas o que vou dizer fala da realidade do mercado literário. Normalmente o escritor que já conseguiu algum sucesso, passa a divulgar apenas os escritores que estão no mesmo patamar que ele. Os autores de muito sucesso acabam, até pela falta de tempo, muito focados em seus próprios trabalhos. Isso é algo que sempre me incomodou. Eu já coloquei em vídeos meus de Bienal escritores que eu sabia que tinham lançado um livro com uma edição de 100 exemplares, porque eu queria dar a chance dessa pessoa se sentir inserida na carreira. E uma vez ouvi de uma leitora na Bienal, a Jane, que também acompanha o meu trabalho, que ela estava comprando três livros da mesma autora por indicação da Casa de Escritora. Foi uma felicidade! Ajudar escritores não prejudica minha carreira em nada. Uma vez uma pessoa fez uma crítica a mim sobre esse meu jeito. Me criticou por eu não glamourizar a minha carreira, de eu não ficar brindando na sala dos autores. Porque estar na sala dos escritores na Bienal é um glamour. Ok, ótimo, mas o que eu gosto mesmo é estar horas e horas no estande atendendo os meus leitores. Talvez eu seja uma escritora acessível demais, talvez isso até me prejudique, mas a certeza de que eu preciso ter o pé no chão e seguir acreditando que a única “pessoa” importante nisso tudo é a literatura é o que me faz continuar. E eu gosto de ver a Casa de Escritora como um movimento singelo, mas um movimento. E aí convido as pessoas a virem comigo!

TL- Sua trajetória vai do teatro, passa pela TV e desemboca na literatura. Olhando para trás, que sensação te dá? É aquela coisa do esforço que vale a pena?

TLU- Essa semana eu comentei que trabalho desde os 14 anos sem pausa. A minha carreira era o que eu tinha de mais sólido. E já passei anos e anos com finais de semana dentro de livrarias. Eu era incansável na hora de estar em eventos literários. Paguei muitas viagens do meu bolso no começo da minha carreira. Dava as minhas aulas de teatro, juntava a minha graninha e o que sobrava eu investia em viajar para autografar, fazer brindes… Eu fui uma vez autografar em Curitiba com uma amiga escritora, não vou dizer o nome porque não sei se ela quer que eu conte isso, mas, quando chegamos lá, só apareceram três pessoas na livraria e uma delas era um autor querendo nos conhecer. Eu paguei avião, hotel, esse dia foi muito decepcionante. Mas foi assim que cheguei na marca de dez livros publicados. Depois que eu conheci o meu marido, que é um grande parceiro, eu comecei a abrir um pouco mais de espaço para a minha vida pessoal. Fui viajar, viver o amor, fazer planos pessoais que até então nunca tinha feito. Eu costumo pensar que antes eu escrevia sobre céu estrelado e hoje eu consigo ver as estrelas na minha vida real. E aí agora surgiu esse momento inacreditável da minha gravidez e é a primeira vez que eu precisei pausar. Eu fiz repouso e depois passei por um período de mal-estar que foi impossível trabalhar. Melhorei agora. Fiz muito, lutei muito e valeu a pena. Mas claro, ainda quero trabalhar bastante porque eu amo o que eu faço. Eu fico me imaginando autografando com o meu bebê no colo! Eu acabei de criar uma área de trabalho na minha casa, onde faço as gravações da Casa de Escritora e da minha carreira, então parar não está nos meus planos. Mas, sim, eu tenho aquela sensação boa de que está valendo a pena lutar.

TL- O teatro continua ocupando muito da tua atenção. Conta mais sobre os projetos ativos nessa área…

TLU- Os livros tomam muito o meu tempo. E é impressionante como a força do leitor, o carinho das pessoas, me fez mergulhar nesse universo literário. Mas não existe ex-atriz e eu sempre estarei com o meu olhar no teatro. No espaço que criei aqui em casa, eu preparei um local onde poderei gravar conteúdos mais teatrais. Coloquei inclusive holofotes e a primeira vez que eles acenderam, eu vi como o teatro está vivo dentro de mim. Escrever está diretamente ligado à minha carreira no palco. Eu sempre leio em voz alta os diálogos que escrevo. Acredito que as personagens poderiam estar em uma peça, um filme. Então eu vejo as minhas carreiras misturadas. Eu sou formada em Artes Cênicas e Jornalismo, então gosto de pensar que sou uma atriz, comunicadora que escreve livros!

TL- Há uma entrevista divertidíssima contigo no Programa do Jô, em que você fala também da experiência como atriz no programa Linha Direta, na Globo (que está voltando agora com Pedro Bial). Quando a escritora tomou o lugar da atriz? (ou não foi bem assim?)

TLU- Ai, eu preciso abrir um parênteses para dizer como o Jô Soares mudou a minha vida. Eu lembro que no dia seguinte da entrevista em São Paulo, eu fui participar da Bienal do Livro de Pernambuco e fiquei impressionada com o carinho das pessoas. Elas queriam saber tudo de mim, tinham adorado a entrevista e eu acho que até pessoas próximas passaram a respeitar mais a minha carreira depois da minha participação no programa, o que é bastante curioso. O Jô foi extremamente generoso e amoroso comigo. Eu fiz um cantinho na minha estante para ele com a caneca do Jô e os livros dele. Então eu acho que a atriz nunca foi embora, até porque eu gravo vídeos, crio projetos no meu canal Tammy Luciano. As carreiras, como falei, estão entrelaçadas. E hoje em dia o escritor precisa mesmo ser presente em rede social, mostrar a cara! O Pedro Bial, que ainda não tive a chance de conhecer, é um profissional que eu admiro muito, inteligentíssimo, e acredito que o Linha Direta com ele ganha um novo respiro. Eu gostava de gravar o Linha. Fiz vários episódios e andei lendo críticas a respeito do Programa, mas eu sou testemunha do lado social, de quantos criminosos foram encontrados com ajuda do Programa.

TL- Como você tem lidado com as redes sociais, especialmente nestes tempos em que todo mundo é cobrado a se posicionar e cancela o outro com uma facilidade imensa? O tribunal da internet te incomoda de alguma maneira?

TLU- Eu gasto a minha energia na rede social para falar de Literatura. Eu não preciso dizer que estou, por exemplo, a favor do livro, porque esse já é um exercício diário. Então penso que alguns posicionamentos são completamente dispensáveis. Percebo que a nossa luta para que a literatura faça mais parte do cotidiano das pessoas é muito mais importante do que declarações minhas polêmicas que me tragam um retorno de pessoas que não me conhecem, não sabem nada de mim e caíram de paraquedas na minha rede social. Eu recebo pouco retorno negativo, mas acontece. Uma pessoa me disse uma vez que eu não deveria colocar “seja sempre feliz” nos meus autógrafos porque eu ficava passando uma imagem que eu era felizinha. Eu realmente sou muito feliz, mas ela não entendeu que quando escrevo isso, estou desejando que o outro seja feliz. Uma vez também recebi uma notícia ruim da minha médica, que graças a Deus depois deu tudo certo, e no mesmo dia uma leitora veio irritada dizer que não me seguia para saber da obra da minha casa e sim de livros. Eu estava em uma semana de eventos, recebendo notícia ruim e a leitora quase me xingando no YouTube. Fui autografar sorrindo, mas por dentro chorava. Eu estava passando um momento bem difícil. O outro às vezes te detona sem saber da sua fragilidade, mas é isso, quando você escolhe uma vida pública, tem que estar preparada. Hoje eu sou bem mais forte. Acredito que a gente recebe dobrado o que faz contra o outro, então o universo é que resolve. Eu sigo trabalhando, feliz, me realizando e dando retorno para quem gosta do meu trabalho.

TL- Hoje há mais plataformas para reverberar o trabalho literário autoral, todavia, as dificuldades para se destacar permanecem tão grandes quanto antes. Que dicas você costuma dar a escritores iniciantes?

TLU- Eu vivo muito a minha vida, toco os meus projetos e acredito muito na força da rede social. O que eu digo para quem me procura é que eu acredito que hoje uma editora não queira investir em pessoas que não possuem seguidores. Então você pode ter um livro lindo, ter 50 pessoas seguindo e não atrair uma editora. Com exceções, claro. Costumo dizer para os iniciantes investirem nas suas redes sociais, criarem sua marca, trazendo relações fortes com pessoas que gostem do seu trabalho, produzindo conteúdos gratuitos, informações valiosas, boas fotos e vídeos. E aí depois de já ter um grupo de pessoas fortalecendo a sua existência, acredito que seja mais fácil entrar no mercado literário. Também penso que seja importante procurar editoras que tenham a ver com o seu livro. Não adianta procurar uma editora que não publica poesia para o seu livro poético. E também aceitar tomar não. Eu tomei vários. Guardo comigo as cartas de editoras me dizendo não. E aqui estou eu indo para o meu décimo primeiro livro! Tem que ter dedicação, foco, trabalhar e acreditar muito!

TL- Saímos de um modelo onde as livrarias físicas, e seus ambientes literários, eram exclusividade, para as experiências virtuais de compra. O que a literatura ganha e perde com essa transformação? Como manter o livro em foco?

TLU- Eu faço questão de continuar comprando livros com aquele livreiro do bairro, porque acredito que a experiência física de estar dentro de uma livraria é maravilhosa, mas, claro, percebo o crescimento das vendas online. Sempre que leio sobre uma livraria fechando, me causa um questionamento para onde estamos indo. Mas ao mesmo tempo, vejo o enorme crescimento das vendas online, eu costumo comprar, acompanho promoções... O que por outro lado ajuda demais no crescimento. O leitor olha o livro no Tiktok, busca na rede e coloca no carrinho. O novo mundo mais rápido e direto. Só o tempo dirá como será, mas eu sou do tempo que a gente implorava para a livraria pedir nosso livro. A primeira vitrine em um Shopping com o meu livro Fernanda Vogel na Passarela da Vida, eu consegui implorando para a gerente. Hoje em dia, o leitor divulga e nos ajuda a vender. Sou muito grata a cada pessoa que fala de um livro meu! Eu agradeço muito, todos os dias.

TL- O Brasil não é um país de leitores - os números não mentem e as experiências de leitura nas classes sociais mais baixas quase inexistem. Como transformar essa realidade?

TLU- A quantidade de livros lidos por aqui é baixa, mas também acredito que muitos jovens se apaixonaram pela literatura nos últimos anos. Temos hoje canais literários que fazem enorme sucesso. O Tiktok também ajuda muito na popularização da literatura. Agora vivemos em um país que infelizmente pessoas estão lutando para comer. Eu já fui autografar em uma escola em que as crianças não tinham chinelo. Foi muito marcante. Era um dia de feriado, fui palestrar e a diretora me disse que elas iam mais para comer do que estudar. Como pedir a elas que comprassem um livro meu no meio dessa realidade lamentável? Eu fui uma garota de classe média, com muitos brinquedos e o livro sempre foi uma realidade na minha casa. Agora, como fazer aquele adulto que não tinha o livro no seu cotidiano virar um leitor? Também penso que ainda existe muito preconceito com o escritor brasileiro que é um grande parceiro nessa construção de leitores. Então quanto mais valorizarmos o livro, os nossos escritores no Brasil, mais pessoas estarão interessadas na leitura. Meu bebê ainda não nasceu, mas já tem seus livrinhos. Aliás é o que ele, ou ela, mais tem. Eu agora que comecei a comprar roupinhas, mas livros, sempre que eu via algo especial, guardava. O quartinho terá uma minibiblioteca porque o livro foi transformador na minha vida e eu sei o poder da literatura. Vejo mães dando celular na mão de bebê. Um absurdo! O livro certamente é o melhor caminho!

TL- Como anda teu pique de leitura? O que tem te agradado na literatura contemporânea, mais ainda a brasileira?

TLU- A leitura está totalmente inserida na minha rotina. Eu leio todos os dias. Até fiquei achando curioso, porque esse período li pouco por causa do enjoo da gravidez, mas estou sempre lendo. Recentemente li ”A Elegância do Ouriço” De Muriel Barbery. Paralelamente, estou lendo agora “Dias de Abandono”, da Elena Ferrante, e o “O Lugar”, da Annie Ernaux. Das brasileiras, sempre indico Fernanda França, Leila Rego, Chris Melo e Maurício Gomyde. São amigos talentosíssimos. Também li Natália Timerman em “O Copo Vazio” e comprei livros das brasileiras Aline Bei e Carla Madeira. Autores brasileiros não ficam atrás de nenhum estrangeiro, posso garantir. Eu adoro testemunhar o sucesso dessas pessoas.

TL- Ler pra você é…

TLU- Mergulhar em mim através das palavras do outro. Digo isso porque já me peguei lendo um parágrafo e passando um filme da minha vida em segundos. É impressionante como o livro nos guia. Ler para mim é ter chegado até aqui mesmo passando momentos difíceis. Em alguns momentos, o livro preenchia minha vida e não me deixava sentir solidão. Eu acredito que só tive coragem de ir morar sozinha e começar minha vida adulta porque os livros me diziam que sim.

TL- Ser mãe é…

TLU- Eu já amo o meu filho, ou filha, de um jeito único. Sei que todo mundo diz isso, mas é um amor revolucionário que já mudou a minha vida para sempre. Eu lutei muito para chegar até aqui e poder entregar um planetinha na mão desse bebê. Agradeço demais que ele nos escolheu. Eu espero ser uma mãe maravilhosa. Já passei do quarto mês de gravidez e sinto que nunca mais serei a mesma. Está mudando tudo para melhor. Eu amo meu marido mais do que antes e é bom seguir esse processo ao lado de quem está tão feliz quanto a gente. Tenho hoje dois corações batendo dentro de mim, é o meu melhor momento, tudo melhorou. Até o olhar para a natureza ao redor de mim é outro. Eu sinto perfume de flores em vários momentos sem ter flor por perto. Não estou romantizando a maternidade, mas, no meu caso, eu sonhava e desejava demais esse momento. Penso que minha escrita também está mudando ao longo de todo esse processo. Eu tive mais coragem para escrever o final do livro novo. É uma nova vida chegando para mim!

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