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Literatura

Vitor Miranda: “Somos um bando de canalhas”

Por: SIDNEY NICÉAS
Novo livro de contos de Vitor Miranda enfia o leitor no lodo cotidiano que se transformou o Brasil

Foto: Divulgação/Arte Tesão Literário

13/02/2022
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*por Sidney Nicéas

O que a gente não faz para vender um livro? Esse é o título do novo livro de contos do escritor paulistano Vitor Miranda (Sempiterno, 2021), mas não é exagero dizer que se trata de uma espécie de mantra de (quase) todo escritor que tenta sobreviver do próprio ofício nesse país. Com uma visão bem incisiva dessa realidade, Vitor brinca metendo a mão na privada ao expor o excremento que toda essa sociedade midiática se transformou. “Uma vez o Abujamra perguntou pro Rafinha Bastos se ele lia e Rafinha respondeu que lia apenas coisas da internet. O Rafinha também já foi demitido por falar merda. Olhe só as pessoas que mais influenciam nossos tempos... O(a) escritor(a), o(a) artista precisa ser um influencer digital pra vender livros, precisa mostrar o corpo e ostentar suas merdas”, diz, incisivo.

Os contos navegam entre o humor ácido e a preocupação do autor com temas atuais. Boa parte deles conta com um poeta-narrador que desbrava uma cidade suja e metida na lama - São Paulo, não o Recife-mangue de Chico Science (mas bem que poderia ser). O poeta funciona como um alter ego do autor, sem escrúpulos para se misturar no submundo da metrópole; um personagem meio bukowskiano. O conto que dá título ao livro dá mesmo o tom da obra. Não há escritor que o leia sem se perder na risada: o que não se faz para vender um livro? “Traqueostomia” é de uma acidez que nos faz perguntar se aquilo tudo rolou mesmo, o cara fumando o baseado pela traqueostomia… A maioria dos contos é em primeira pessoa, o poeta-narrador à Bukowski, sempre sem grana, sempre fuçando algo (mesmo sem exatamente fuçar), e haja inusitado para dar tom aos tropeços do submundo paulistano, e haja sexo, drogas, rock'n roll e risos!

“Acho que eu tenho alguns truques que levam muitos leitores a fazer essa comparação bukowskiana. Eu, particularmente, acho que a construção do texto não tem muito a ver com a do Bukowski. Mas eu tenho o poeta e ele tem o Henry Chinaski como alter ego. E esses personagens criam uma relação de intimidade com leitoras e leitores. As pessoas vão lendo e ficando curiosas sobre quando ele vai aparecer novamente. É como o Mandrake do Rubem Fonseca, que é outro personagem que eu gosto muito. E esses três personagens têm um pouco a ver por viver no submundo das metrópoles, conviver com putas, travestis, mendigos, a corrupção mais profunda, o subemprego. Eles vivem no subsolo. Acredito que as pessoas querem ver/ler os personagens se darem mal. Essa é a realidade mais interessante. O poeta se dar mal e sair dessa com ironia e bom humor, fazer algo com a merda, pois a vida é assim. As pessoas, a maioria delas, se dão mal todos os dias e a vida continua”, explica.

O humor que permeia a primeira metade da obra é impagável. “A pessoa que não tem bom humor parece que não goza. Só que vivendo na merda a gente cria uma acidez, pois a gente vive nossa realidade. A pessoa que tá benzona na vida nunca responde "tá tudo uma merda" quando alguém pergunta se está tudo bem. Agora quando alguém me pergunta eu sempre digo que tá uma merda. Pois a vida é uma merda. A gente fica criando coisas pra se divertir”. Alguns contos flertam explicitamente com o teatro. Há esse humor ácido, irônico, tão inquietante quanto a realidade da ficção. O amor brinca de não-amor, tal qual a real. O conto de abertura, “Quero Viver de Amor”, lava a alma do artista, frustrado; viver da arte permanece a realidade dura de quem persiste em sonhar. A realidade aparece nua, muitas vezes com um esforço de ficção. O racismo, a política, São Paulo inquietante, o sistema falido, o sexo vadio. Há contos que soam como crônicas. Outros trafegam como num diário. Tudo parece incômodo. E o tom humorado, humor que não só diverte, alfineta, espelha uma realidade absurda num Brasil perdido entre suas próprias mazelas. “Acho que o Brasil tá fodido. O bolsonarismo aprofundou e acelerou a decadência do país. E a gente está muito perto de uma realidade africana. Se eu fosse vocês iria embora daqui o quanto antes. Eu vou ficar pois eu gosto de escrever sobre a merda”.

Em “Puteiro Surrealista” Vitor brinca com a realidade e a ficção num jogo rítmico curto e certeiro e não menos risível - no melhor sentido da palavra -, tudo cabendo como aqueles sonhos loucos que se sonha dormindo (ou acordado...). O conto “Toulouse-Lautrec” é impagável. Imagético, Vitor deixa fluir um vai-vém interessantíssimo num puteiro, onde o poeta vai só pra fumar (está sem dinheiro!) e conversar com as meninas. Consegue misturar bom humor com sensibilidade e manter uma ambiência onde o sujo, o belo, o grotesco e o ordinário se entrelaçam no ponto certo.

Os diálogos são muito bem costurados com uma secura divertida. No conto “A Felicidade é Cheia de Ai” Vitor ‘brinca’ habilmente com o leitor diante de uma cena de violência. E tudo termina com um sorriso daqueles na cara do leitor; se a violência diverte esse mundo subvertido, é melhor rir. Em certo ponto a obra vira a esquina e o humor rareia. Os contos passam a revelar de forma mais explícita o ser mulher num mundo machista, violentamente machista, e o ser homem numa sociedade em total transformação. Aqui e acolá Vitor equilibra o tom, noutros momentos soa quase panfletário; no fim das contas crava toda a sua inquietação enquanto homem. “A minha literatura conta o momento da humanidade no qual estou vivendo. Não só nos temas e nos enredos, mas também na estética, nas formas dos textos. Orações curtas, contos curtos, simbolizando a rasa profundidade da comunicação desses dias atuais. E eu gosto de assumir um certo risco ao colocar narradores e outros personagens num lugar politicamente incorreto. A vida, a sociedade, as pessoas são politicamente incorretas. Todos nós somos um bando de canalhas. Então minha literatura de prosa é sempre uma denúncia contra a perfeição”, sentencia.

Detalhe interessante: voltar para rever a ilustração que abre cada conto é inevitável. A ilustradora Fernanda Bienhachewski captou bem as ideias do autor e soube ampliar tudo com muita sensibilidade. Tudo em preto-e-branco como as vidas de cada personagem. Mas não dá pra falar mais, é preciso comprar o livro e conferir, afinal, o que é que um autor faz pra vender um livro - antes, contudo, confira a entrevista exclusiva que fizemos com Vitor Miranda via whatsapp; ao final tem o contato do autor para adquirir a obra.


TESÃO LITERÁRIO- O que Vitor Miranda já fez para vender um livro?

VITOR MIRANDA- Sabe que esses dias fiz das coisas mais humilhantes? Fui numa festa de gamers. Coloquei na minha cabeça um objetivo: vender um livro pra algum gamer. Primeiro mostrei pra uma fã de gamer que pegou o livro nas mãos por um segundo, fez cara de nojo e me devolveu. Daí apontaram uma gamer pra mim e disseram pra eu vender pra ela. A mina tem 6 milhões de seguidores no instagram. Quando ela passou por mim perguntei: você gosta de ler? Ela questionou "o que?" e eu disse "livros" e ela respondeu com orgulho: "claro que não. Eu sou gamer!". O Monark era gamer antes de fundar o Flow Podcast. Uma vez o Abujamra perguntou pro Rafinha Bastos se ele lia e Rafinha respondeu que lia apenas coisas da internet. O Rafinha também já foi demitido por falar merda. Olhe só as pessoas que mais influenciam nossos tempos. O(a) escritor(a), o(a) artista precisa ser um influencer digital pra vender livros, precisa mostrar o corpo e ostentar suas merdas. Uma vez postei uma foto nu com um de meus livros em frente ao meu pau e vendi livro pra caralho, literalmente. Só que recebi propostas indecentes: "o autor vem junto com o livro?". Numa dessas disse que pro autor ir junto era mais caro e foi aí que começou a ideia do livro, que nasceu o conto homônimo.

TL- Você é um artista que tenta viver da arte, com trabalhos também no cinema e na música. O personagem-poeta que aparece na maioria dos contos é como um alter ego seu, uma espécie de Vitor Bukowski tentando sobreviver no Brasil?

VM- Acho que eu tenho alguns truques que levam muitos leitores a fazer essa comparação bukowskiana. Eu, particularmente, acho que a construção do texto não tem muito a ver com a do Bukowski. Mas eu tenho o poeta e ele tem o Henry Chinaski como alter ego. E esses personagens criam uma relação de intimidade com leitoras e leitores. As pessoas vão lendo e ficando curiosas sobre quando ele vai aparecer novamente. É como o Mandrake do Rubem Fonseca, que é outro personagem que eu gosto muito. E esses três personagens têm um pouco a ver por viver no submundo das metrópoles, conviver com putas, travestis, mendigos, a corrupção mais profunda, o subemprego. Eles vivem no subsolo. Seria interessante um conto com esses três caras se encontrando por acaso. De repente, numa condição confortável, fora de suas zonas de conforto, que é o desconforto. Acredito que as pessoas querem ver/ler os personagens se darem mal. Essa é a realidade mais interessante. O poeta se dar mal e sair dessa com ironia e bom humor, fazer algo com a merda, pois a vida é assim. As pessoas, a maioria delas, se dão mal todos os dias e a vida continua.

TL- Aliás, o humor ácido na primeira metade de “O Que Não Fazemos Para Vender um Livro" delicia justamente por dar voz à realidade nada glamurosa dos escritores no país. Só mesmo com bom humor pra “viver de literatura”? (em aspas mesmo!)

VM- A pessoa que não tem bom humor parece que não goza. Só que vivendo na merda a gente cria uma acidez, pois a gente vive nossa realidade. A pessoa que tá benzona na vida nunca responde "tá tudo uma merda" quando alguém pergunta se está tudo bem. Agora quando alguém me pergunta eu sempre digo que tá uma merda. Pois a vida é uma merda. A gente fica criando coisas pra se divertir. Eu acredito na diversão. Escrever me diverte. Fazer as pessoas se divertirem me diverte. Desde a escola. Eu me sentia muito melhor divertindo a classe do que prestando atenção na aula. Você não se enquadrar nos quadrados que colocam pra gente pisar é uma subversão. Ser poeta é uma subversão. Agora ser poeta divertido é subverter a subversão, pois é uma bolha com muitas pessoas chatas. 

TL- A outra metade do livro mergulha nas transformações em curso na sociedade, especialmente do ser homem, abordando temas fundamentais que estão em pauta. Você acha que a Literatura pode ser caminho para acentuar esse tipo de reflexão?

VM- A minha literatura conta o momento da humanidade no qual estou vivendo. Não só nos temas e nos enredos, mas também na estética, nas formas dos textos. Orações curtas, contos curtos, simbolizando a rasa profundidade da comunicação desses dias atuais. E eu gosto de assumir um certo risco ao colocar narradores e outrxs personagens num lugar politicamente incorreto. A vida, a sociedade, as pessoas são politicamente incorretas. Todxs nós somos um bando de canalhas. Então minha literatura de prosa é sempre uma denúncia contra a perfeição. Meus contos são um enfrentamento à perfeição auto-publicitária que é onde desaguou a humanidade nesse momento. E o ser perfeito não pode errar. Já o poeta pode errar, pois ele é um canalha, ele quer que todo mundo se foda, ele já está na merda. Sem patrocinadores para largá-lo ao relento quando ele for cancelado. "Os fãs de hoje são os linchadores de amanhã". O que diria Cazuza desses tempos? Sua metralhadora estaria cheia de armas. Eu tô atirando sem parar. Uma grande referência para minha prosa de contos é a poesia de Gregório de Matos. O poeta é um Boca do Inferno paulistano. Eu tô ironizando toda essa hipocrisia canalha de direita, de esquerda, de terceira via, do caralho a quatro.

TL- O mercado editorial passa por uma grande transformação. O autor continua sendo o elo mais fraco da cadeia, concorda? Se sim, como você acha que isso pode ser resolvido?

VM- Eu não faço parte do mercado. Como disse Raul Arruda Filho em sua excelente crítica sobre o livro: eu sou um mero desconhecido como a maioria de nós. Teve um outro sujeito metido a crítico, mas é apenas um paga pau de Leminski, que ficou me difamando nas redes sociais e disse que eu cheguei agora, mas já quero sentar na janelinha. Um escroto que quer fechar os sinais pra nós que somos jovens. E eu já nem sou tão jovem assim. Não vejo solução pro mercado, nada vai ser resolvido, pois o mercado editorial de livros está inserido dentro de um mundo mercadológico onde as pessoas mais influentes que lutam pela preservação da natureza estão estampando as campanhas publicitárias de marcas que exploram a natureza. O que eu sempre indico é, se tiver condição financeira, faça o livro independente e fique com o dinheiro todo pra você. É o que eu fiz, com a ajuda de um grande amor - pois eu mesmo não tinha dinheiro, sou poeta. Agora, eu admiro muito o trabalho de editoras independentes como a Patuá, que talvez seja o exemplo maior. Acho que Eduardo Lacerda é uma grande referência do ramo. Essas editoras e editores são tão heróicos e heróicas quanto autoras e autores. Por isso eu sempre valorizo as pessoas do mercado independente, que é uma espécie de não mercado. A gente surge como uma espécie de anti mercado, mas o mercado é tão inteligente, forte e estabelecido que vai nos engolindo e colocando a gente dentro da merda pra ser um submercado. E é por tudo isso que fundei o Movimento Neomarginal, que é um movimento que não deu em nada como o próprio nome diz, e até mudamos o nome, eu e o poeta Henrique Pitt, para movimento morto: ex-posições. 

TL- Falando em pautas atuais, o “secretário” de cultura, Mario Frias, vibrou com as mudanças estapafúrdias na Lei Rouanet. O governo federal continua alimentando a falácia de que a classe artística agora não pode mais “mamar nas tetas do Estado”. Quando nos tornamos tão suscetíveis a esse tipo de factóide? O que a arte pode fazer para transformar a realidade da nação?

VM- A arte não pode fazer nada pra mudar a realidade da nação. Talvez numa rua, num bairro como Maria Vilani fez e continua fazendo, mas não muda uma nação. Chico Buarque disse que suas peças não mudaram nada, pois só iam assistir quem já concordava com aquilo. A arte, para mim, é uma relação muito individual de quem a faz e de quem a consome. Mesmo quando se está em grupo dentro de um cinema assistindo um filme ou ensaiando uma peça de teatro, as percepções, as experiências, as sensações são muito pessoais. Já sobre Mário Frias, eu só sei quem é pois nasci numa família de classe média, numa época televisa onde assistíamos televisão e tomávamos café da tarde no horário da Malhação. Acho que tinha uma expressão da minha juventude que era "sem comentários". Eu não sei o que comentar sobre um secretário de cultura que vai representar o país num evento artístico onde a homenageada é Lina Bo Bardi e ele dá uma entrevista onde diz que não sabe quem foi Lina Bo Bardi. Acho que temos muitos artistas fúteis no país. É um aspecto muito forte da geração a futilidade. Tem a ver com essa ânsia digital pelo engajamento, pela publicidade, pois no fundo é a futilidade que atrai e não o conteúdo mais profundo. Já sobre a Lei Rouanet, agora ela é praticamente inexistente. É um governo de pirraça, uma pirraça infantil, pois não há inteligência econômica, tanto que até os "cineastas evangélicos" estão reclamando. Tudo que representa um alicerce de um outro governo eles destroem. É o pensamento bolsonarista. Quem se tornou bolsominion já tinha esse comportamento antes da ascensão do Bolsonaro. Era o garotinho dono da bola que levava a bola embora quando estava perdendo. Mas existe uma razão para chegarmos nesse lugar pior, nesse fundo do poço. Houve muita reclamação nas épocas de Lula e Dilma, pois leis de incentivo estavam indo pra quem não precisava de incentivo, como Claudia Leite, cantores sertanejos e pros vídeos de poesia da Maria Bethânia. Essas pessoas não precisam de "incentivo". Elas enchem casas de show, elas podem até conseguir patrocínios diretos com a influência que elas têm. Uma crítica que fiz na época foi a Lei Rouanet sendo usada por um espetáculo gringo que cobrava 600 reais no ingresso. As pessoas que iam assistir um espetáculo gringo que usou uma lei de incentivo nacional pagando esse valor são as mesmas pessoas que odiavam o PT, que votaram em Bolsonaro e que passeiam aos domingos com suas famílias na Avenida Paulista que o governo Haddad fechou para os carros. E tudo isso é compreensível, pois o mercado é sempre mercado. Há sempre o QI (quem indica) e nessas quem se formou na FAAP se dá bem na vida, e há sempre a publicidade e as corrupções do toma lá da cá. E quem precisa de incentivo mesmo sempre continua na merda.

TL- O momento político brasileiro jogou as coisas numa espécie de limbo, o lugar ideal para os políticos desonestos, onde nada se discute mais, as desavenças empobrecem os processos e encobrem as reais necessidades, onde as fake news se tornaram moeda forte. Como sair disso?

VM- Na história política da humanidade a mentira sempre existiu. A gente nunca saiu dessa e nem vamos sair. Será sempre um ciclo evolutivo, pois as tecnologias vão surgindo, né? Não vão mais contar mentiras de Maiakovski num jornaleco do interior da Rússia, vão disparar mentiras sobre o Felipe Neto nos grupos de whatsapp. Acho que comparei Maiakovski com Felipe Neto. A que ponto chegamos? Me desculpe.

TL- Essa esculhambação toda ao menos tem feito as pessoas se aproximarem da política. Será que isso se cristalizará? Ou, sem investimentos sérios em educação e cultura, continuaremos batendo cabeça?

VM- Volto ao começo pra falar dos gamers. O Monark começou a ganhar muito dinheiro ensinando a jogar Minecraft na internet, depois faliu, pois começou a falar de política enquanto jogava Minecraft. Daí ele e o Igor criaram o maior podcast do país e influenciaram um monte de gente a imitá-los. Agora ele é demitido da empresa que criou por ficar falando merda política. Eu espero que menos pessoas falem de política nesse país. Imagine só a menina gamer que disse orgulhosamente que não lê livros se ela começar a falar de política para 6 milhões de seguidores... É um desastre. Prefiro que ela continue fazendo dancinha no tik tok. Acho que o Brasil tá fodido. O bolsonarismo aprofundou e acelerou a decadência do país. E a gente está muito perto de uma realidade africana. Se eu fosse vocês iria embora daqui o quanto antes. Eu vou ficar pois eu gosto de escrever sobre a merda.

TL- O que Vitor Miranda anda lendo?

VM- Acabei de ler História do Olho, do Georges Bataille, e tô dando continuidade na obra completa dos contos do Caio Fernando Abreu. E leio contemporâneos e contemporâneas. Acabo trocando muitos livros com colegas de profissão. Recentemente li duas jovens poetas que muito me agradou: Lia Petrelli e Zoe Naiman Rozenbaum.

TL- São Paulo é pra você uma amante cruel, daquelas que despertam amor e ódio?

VM- São Paulo é uma dominatrix. acho que isso resume bastante. não tem amor e nem ódio. só sexo e dor.

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Para adquirir o livro e fazer contato com Vitor Miranda:

https://www.instagram.com/vitorlmiranda/

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